O ex-presidente da Coreia do Sul Yoon Suk Yeol foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (19) pelo crime de insurreição, após impor uma lei marcial no país em uma tentativa de restringir poderes civis e deslegitimar o Parlamento. A sentença foi proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul.
Yoon foi afastado das funções presidenciais em dezembro de 2024, quando sofreu um processo de impeachment por decretar a lei marcial. À época, ele alegou que a medida era necessária para responder ao bloqueio do orçamento pelo Parlamento — controlado pela oposição — e para proteger o país das “forças comunistas norte-coreanas”.
O decreto revogaria a legislação civil vigente, substituindo-a por normas de natureza militar e restringindo direitos civis, mas durou apenas algumas horas diante da forte oposição parlamentar e pressões sociais. Posteriormente, o Tribunal Constitucional confirmou a cassação de Yoon, que foi formalmente indiciado por insurreição no início de 2025.
Durante o julgamento, o ex-presidente negou irregularidades e afirmou que a ação visava “alertar a população sobre uma ditadura parlamentar inconstitucional” supostamente promovida pelo então partido Democrata, de oposição. Yoon caracterizou a acusação como uma “conspiração política”.
No entanto, a juíza Ji Gwi-yeon concluiu que a imposição da lei marcial constituía uma rebelião, por sua capacidade de paralisar o Legislativo e permitir a detenção de opositores políticos. Segundo a magistrada, a medida causou prejuízos profundos à democracia sul-coreana e exigia punição severa. Apesar de os promotores terem solicitado a pena de morte, a juíza optou pela prisão perpétua para Yoon.
Além do ex-presidente, outros altos integrantes do governo e das forças de segurança receberam penas de prisão:
Kim Yong-hyun, ex-ministro da Defesa — 30 anos
Roh Sang-won, ex-comandante de inteligência — 18 anos
Cho Ji-ho, ex-chefe de polícia — 12 anos
Kim Bong-sik, ex-chefe da polícia metropolitana de Seul — 10 anos
Mok Hyun-tae, ex-chefe da polícia da Assembleia Nacional — 3 anos
De acordo com o Tribunal, os réus têm até uma semana para apresentar recursos às respectivas sentenças.
Everson Coutinho / Portal Tri com informações SBT