O Ministério da Saúde anunciou no último dia 29 de outubro, a prorrogação da campanha nacional de multivacinação, voltada a crianças e adolescentes até 15 anos. O motivo é a baixa adesão à campanha, que ficou abaixo do esperado. A campanha acabou estendida até o final de novembro.
Um exemplo disso é a poliomielite, que foi considerada erradicada das Américas em 1994, e agora volta a preocupar os especialistas. Isso porque a taxa de cobertura vacinal no Brasil segue em queda. Atualmente, está em cerca de 60% do público alvo, que são as crianças de até cinco anos. A taxa está bem abaixo do nível considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que é de 95%.
As taxas de vacinação de doenças como meningite, hepatite B e paralisia infantil, que estavam próximas de 100% até 2015, também caíram para menos de 80% no ano passado, fatores que podem levar a uma epidemia das doenças no país.
Para os especialistas ligados à área da infectologia e imunização, a necessidade de prorrogação da campanha de vacinação é resultado de um dos principais fatores que, segundo eles, têm prejudicado a cobertura vacinal no país, a falta de comunicação por parte do Ministério da Saúde, responsável pelo Plano Nacional de Imunização - PNI. Além disso, outro motivo da baixa procura pelas vacinas, segundo os especialistas, é um possível descuido da população diante de doenças que eram temidas décadas atrás, mas que foram praticamente erradicadas.
Os infectologistas alertam ainda que é precisa agir rápido para reverter o quadro de cobertura vacinal. Caso contrário, outras doenças poderão seguir o rumo do sarampo, que registrou surtos nos últimos anos e levou o Brasil a perder, em 2019, o certificado de território livre do vírus.
Jeferson Ávila / Portal de Beltrão