Cerca de 50 caminhões da Transportes Silvio, empresa de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, estão entre os veículos afetados pela sequência de fechamentos e restrições provocados pela neve na Cordilheira dos Andes. Os caminhões aguardam condições de segurança para seguir viagem pelo Paso Pino Hachado, passagem internacional que liga a província de Neuquén, na Argentina, ao Chile.
A situação foi relatada pela CEO da empresa, Francine Roman, em uma publicação nas redes sociais. Segundo ela, aproximadamente 50 veículos da transportadora estão “presos” nas regiões de fronteira e aguardam a melhora das condições climáticas para retomar as viagens internacionais.
“Já são mais de 20 dias de fronteiras fechadas entre Argentina e Chile, por conta da neve”, escreveu Francine. Na publicação, ela também destacou que o cenário representa um grande desafio para o transporte internacional.
A neve acumulada, o gelo e o chamado “vento branco” reduzem drasticamente a visibilidade e a aderência da pista. Por isso, mesmo quando há previsão de reabertura, a circulação de caminhões pode permanecer condicionada à avaliação das equipes responsáveis pela segurança e pela manutenção das estradas.
A situação enfrentada pela empresa ocorre em meio a uma crise de grandes proporções no transporte rodoviário entre Argentina e Chile. Nos últimos dias, o Paso Pino Hachado chegou a concentrar mais de 1,2 mil caminhões afetados pelas restrições de circulação provocadas pelo intenso inverno na região. O número, segundo informações divulgadas pelo governo de Neuquén, superou registros de anos anteriores.
Paso Pino Hachado é estratégico para o transporte internacional
O Paso Pino Hachado está localizado na Cordilheira dos Andes e conecta a região de Las Lajas, em Neuquén, na Argentina, à localidade de Liucura, no Chile. Do lado argentino, o acesso ocorre pela Ruta Nacional 242, uma das principais ligações utilizadas pelo transporte de cargas entre os dois países.
Durante o inverno, porém, a passagem é frequentemente afetada por neve, gelo, ventos fortes e baixa visibilidade. Neste sábado, dia 8, a situação continuava complicada.
Segundo o registro oficial do governo argentino, o trecho da RN-242 entre a aduana e a fronteira com o Chile estava com corte total. A estrada foi considerada intransitável durante toda a jornada devido ao acúmulo de gelo e neve, presença de “vento branco” e baixa aderência da pista. Equipes permaneciam trabalhando na região.
O governo de Neuquén também mantém operações especiais para atender os caminhoneiros afetados pelos bloqueios. Desde junho, a província conta inclusive com uma estrutura preparada para receber até 250 caminhões em períodos de fechamento do passo por condições climáticas adversas.
Efeito dominó nas fronteiras
No fim de julho, as autoridades de Neuquén já registravam centenas de caminhões retidos em diferentes pontos da província. O aumento do fluxo em direção ao Pino Hachado ocorreu justamente em meio às dificuldades enfrentadas em outros corredores internacionais.
Em condições normais, o Paso Pino Hachado opera com um fluxo muito inferior ao registrado durante os períodos de crise. O aumento excepcional do movimento, somado às interrupções causadas pela neve, acabou formando longas filas e áreas de espera para os veículos de carga.
As autoridades argentinas seguem monitorando as condições das rotas da região e orientando motoristas a consultar os boletins oficiais antes de viajar.
Para o transporte internacional, a situação representa um problema que vai além do atraso de uma viagem. A retenção dos caminhões interfere na programação das empresas, nos prazos de entrega, na logística das cargas e na disponibilidade dos motoristas e veículos.