O Paraná lidera, pelo segundo ano consecutivo, o recebimento da complementação VAAR (Valor Aluno Ano Resultado), mecanismo vinculado ao Fundeb. Em 2026, o Estado receberá R$ 620,6 milhões, pagos em 12 parcelas mensais que já começaram a ser liberadas.
Na sequência do ranking nacional aparecem Goiás, com R$ 355,9 milhões, e Pernambuco, com R$ 335,8 milhões.
O VAAR se diferencia por atrelar parte dos repasses da União ao avanço em indicadores educacionais, especialmente os relacionados à aprendizagem e à redução das desigualdades. O resultado positivo reforça o desempenho do Paraná em outros índices: segundo o Ideb 2023, o Estado ocupa o primeiro lugar em todas as etapas da educação básica, incluindo os anos finais do Ensino Fundamental.
Criado no contexto do Novo Fundeb, o VAAR introduziu critérios que vão além da capacidade fiscal das redes de ensino. Para acessar os recursos, estados e municípios precisam cumprir exigências obrigatórias e demonstrar evolução nos resultados educacionais.
O acesso ocorre em duas etapas: primeiro, o cumprimento de cinco condicionalidades; depois, a comprovação de melhoria em indicadores como atendimento escolar ligado à permanência dos estudantes e aprendizagem com equidade, que avalia o desempenho com foco na redução das desigualdades.
De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, o resultado é fruto de uma política baseada em monitoramento contínuo e uso de dados. "A partir de informações consistentes, conseguimos orientar as ações, atuar com mais precisão e gerir os resultados de forma mais eficiente, sempre com foco na aprendizagem dos estudantes e na redução das desigualdades", afirmou.
Nas redes municipais paranaenses, 233 municípios receberam a complementação em 2026. Desses, 178 obtiveram o valor integral por apresentarem avanços simultâneos em aprendizagem e atendimento, enquanto outros 55 receberam parcialmente. Ao todo, as cidades somaram R$ 308 milhões em repasses.
Exigências e desafios
Segundo o coordenador de Pesquisas em Economia da Educação da Seed-PR, João Carlos de Carvalho, o acesso ao VAAR depende do cumprimento de critérios como participação em avaliações nacionais, transparência de dados e mecanismos de gestão democrática.
Ele destaca que o principal desafio é a redução das desigualdades educacionais, especialmente entre estudantes de grupos mais vulneráveis. "Não basta elevar o aprendizado. É necessário melhorar a aprendizagem de forma mais intensa entre esses grupos, o que exige políticas focalizadas e baseadas em evidências", explicou.
Carvalho ressalta ainda que o modelo cria um ciclo positivo: ao melhorar os indicadores, o estado recebe mais recursos e pode reinvesti-los em políticas educacionais mais eficazes, ampliando os resultados e promovendo maior equidade ao longo do tempo.