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Dívida pública chega a R$ 11 trilhões e será um dos desafios do próximo governo

Endividamento bruto atingiu 82,9% do PIB em agosto, enquanto juros elevados e despesas obrigatórias reduzem o espaço para novas despesas no Orçamento

Dívida pública chega a R$ 11 trilhões e será um dos desafios do próximo governo
Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O próximo governo federal assumirá, em janeiro de 2027, um cenário de pressão sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central.

Em julho, a dívida correspondia a 82,6% do PIB. O indicador inclui os débitos do governo federal, estados e municípios.

A trajetória da dívida é acompanhada em um contexto de despesas públicas elevadas, déficit nas contas e custos de financiamento. Os juros também têm peso significativo na evolução do endividamento. Nos 12 meses encerrados em julho, os juros nominais do setor público somaram R$ 1,15 trilhão, o equivalente a 8,67% do PIB.

A dívida bruta passou de R$ 2,7 trilhões no fim de 2013 para aproximadamente R$ 11 trilhões em agosto de 2026. Na relação com o PIB, avançou de 51,5% para 82,9% no mesmo período.

Pressão sobre o Orçamento

Além do tamanho da dívida, o próximo governo terá de administrar um Orçamento com grande parte dos recursos comprometida com despesas obrigatórias, como aposentadorias, salários e benefícios.

Segundo análise publicada pelo InfoMoney, cerca de nove em cada dez reais do gasto federal, sem considerar os juros da dívida, já possuem destinação definida por lei. Esse cenário reduz o espaço para investimentos e novos programas sem alterações nas despesas ou aumento de receitas.

Projeções apontam continuidade da alta

As projeções citadas pelo InfoMoney indicam que a relação entre dívida e PIB pode continuar aumentando nos próximos anos. A consultoria 4intelligence estima que o indicador chegue a 87,9% do PIB em 2027. Já as expectativas de mercado compiladas pelo Banco Central apontam para 102% em 2035.

O resultado depende de fatores como crescimento econômico, arrecadação, despesas públicas, taxa de juros e resultado primário.

Juros têm peso nas contas públicas

O custo dos juros é um dos principais componentes da evolução da dívida. Dados do Banco Central mostram que, em julho, os juros nominais acumulados em 12 meses chegaram a R$ 1,15 trilhão.

A taxa básica de juros influencia o custo de financiamento do governo e também as condições de crédito para famílias e empresas.

Desafio fiscal chega ao debate eleitoral

A situação das contas públicas passou a integrar as discussões sobre o próximo governo, embora as propostas apresentadas pelos candidatos ainda tenham diferenças de detalhamento sobre medidas para controlar despesas e estabilizar a dívida.

Análise do InfoMoney aponta que os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam abordagens diferentes para as contas públicas, mas que permanecem dúvidas sobre a implementação prática das medidas e quais despesas seriam afetadas.

As avaliações sobre os programas são interpretações de analistas e não representam medidas já aprovadas ou executadas.

Decisões dependerão também do Congresso

Parte das mudanças necessárias nas contas públicas depende de aprovação do Congresso Nacional, especialmente quando envolve alterações em regras constitucionais, benefícios ou despesas obrigatórias.

Dessa forma, além da escolha do próximo presidente, a composição do Legislativo e a capacidade de articulação entre Executivo e Congresso serão fatores relevantes para eventuais mudanças na política fiscal.

O cenário que será recebido pelo próximo governo envolve, portanto, a necessidade de administrar a trajetória da dívida, os custos dos juros e o espaço limitado no Orçamento, conciliando essas questões com investimentos e manutenção de políticas públicas.

InfoMoney

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