A Polícia Civil prendeu em flagrante a esposa, a filha e o amante da mulher suspeitos de envolvimento na morte de José Teixeira da Silva, de 77 anos, em Bandeirantes, no Norte do Paraná. O idoso, que era acamado e usava fraldas, foi morto com um tiro enquanto estava deitado em sua residência, no último sábado (21).
Inicialmente, o caso foi registrado como latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte. No entanto, durante a investigação, os policiais identificaram contradições no depoimento da esposa da vítima e passaram a considerar a hipótese de que o homicídio teria sido planejado para simular um assalto.
Segundo o inquérito, a mulher acionou a Polícia Militar durante a madrugada e relatou que dois homens haviam invadido a residência, atirado contra o marido e fugido levando o carro da família e aproximadamente R$ 15 mil.
A versão apresentada, porém, apresentou inconsistências. Conforme os investigadores, a suspeita mudou o relato sobre ter visto os supostos criminosos fugindo, alterou o valor que teria sido levado e afirmou ter priorizado prender o cachorro da família antes de pedir ajuda aos vizinhos.
Investigação aponta suposto planejamento
A análise de mensagens encontradas no celular da mulher levou os investigadores a confrontá-la sobre as contradições. De acordo com a Polícia Civil, ela acabou confessando ter planejado o assassinato junto com o amante.
Segundo os depoimentos apresentados à investigação, a motivação estaria relacionada ao comportamento supostamente controlador e violento do idoso. O estopim para o planejamento teria sido a recusa da vítima em custear um tratamento de saúde para a filha, apesar de possuir recursos financeiros.
A esposa relatou ainda que entregou ao amante uma arma pertencente ao próprio marido, deixou as portas da residência abertas e permaneceu do lado de fora enquanto o crime era cometido. Depois, teria enviado uma mensagem à filha informando que “aconteceu”.
A filha, segundo a investigação, afirmou que sabia das intenções da mãe havia cerca de um mês, mas decidiu não intervir ou denunciar. Ela alegou que não estava presente no momento do crime.
Já o amante confirmou à polícia que mantinha um relacionamento extraconjugal com a mulher havia aproximadamente três anos, mas negou ter efetuado o disparo. Conforme o depoimento, ele teria ido ao local a pedido dela para esconder a arma e retirar o veículo, que posteriormente foi abandonado em uma área de vegetação da cidade.
Defesa contesta versão apresentada pela investigação
A defesa dos três suspeitos afirmou, em nota, que as conclusões da investigação não podem ser consideradas definitivas. Os advogados questionaram a validade e a voluntariedade das confissões prestadas na delegacia.
Segundo a defesa, os suspeitos teriam sido submetidos a forte pressão psicológica, permanecido por cerca de sete horas sem água e alimentação e sido impedidos de entrar em contato com seus advogados durante os interrogatórios.
Os defensores afirmaram que continuarão colaborando com a Justiça para o esclarecimento dos fatos e destacaram a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à presunção de inocência.
A Justiça negou o pedido de liberdade dos três investigados, que permanecem presos preventivamente e respondem por suspeita de homicídio qualificado. A investigação e o processo seguem em andamento.
Portal de Beltrão, com Polícia Civil | TNOnline