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Não existe “colo demais”: o que a ciência diz sobre pegar o bebê no colo

Estudos mostram que o toque e a proximidade física são fundamentais para o desenvolvimento do bebê — especialmente nos primeiros meses de vida

Não existe “colo demais”: o que a ciência diz sobre pegar o bebê no colo
Foto: Reprodução | Revista Pais & Filhos

Quando um bebê chora, a reação quase automática é pegar no colo e tentar acalmar. Esse impulso não é exagero nem “mimo”: ele faz parte da nossa biologia. Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences em 2017 mostrou que os seres humanos são naturalmente programados para responder ao choro dos recém-nascidos com cuidado e proximidade.

Mesmo assim, é comum ouvir opiniões dizendo que segurar o bebê demais pode “acostumar mal”. Esse tipo de conselho, embora muitas vezes venha com boa intenção, pode gerar dúvidas — principalmente em quem está vivendo o início da maternidade ou paternidade.

E tem notícia boa na área! A ciência é bastante clara: não existe colo demais para um bebê.

O que a ciência diz sobre o contato com o bebê

Especialistas da American Academy of Pediatrics recomendam manter o bebê próximo como forma de fortalecer o vínculo e aumentar a sensação de segurança. E não é só uma questão emocional — existem efeitos concretos no desenvolvimento.

Um estudo de 2020 mostrou que a proximidade física entre bebê e cuidador ativa a liberação de ocitocina, hormônio ligado ao afeto, além de estimular vias importantes do sistema nervoso. Esses processos estão diretamente relacionados ao desenvolvimento cerebral.

Outras pesquisas também apontam que o toque ajuda o bebê a desenvolver comunicação, fortalece o vínculo com quem cuida e contribui para a formação de conexões seguras — algo essencial nos primeiros meses de vida.

O impacto do toque no desenvolvimento do cérebro

Um estudo realizado em 2017 pelo Nationwide Children’s Hospital, em Ohio, analisou 125 bebês, entre prematuros e nascidos a termo, para entender como eles reagiam ao toque.

Os pesquisadores compararam a resposta cerebral dos bebês ao toque suave — como o de um colo — com estímulos menos agradáveis, como procedimentos médicos. O resultado foi direto: o toque gentil gerou respostas cerebrais muito mais intensas.

Além disso, o estudo mostrou que bebês que recebem mais contato físico positivo apresentam um desenvolvimento cerebral mais eficiente do que aqueles que têm menos experiências desse tipo.

Ou seja, não é só a presença do toque que importa, mas também a forma como ele acontece.

Por que o colo é ainda mais importante para prematuros

Os benefícios do contato físico se tornam ainda mais evidentes quando falamos de bebês prematuros. No mesmo estudo de 2017, foi observado que esses bebês respondiam melhor ao toque quando tinham recebido mais contato suave ao longo do tempo.

Isso indica que experiências como o contato pele a pele podem ajudar o cérebro do bebê a se desenvolver de forma mais próxima ao que aconteceria dentro do útero durante uma gestação completa

Quando pegar o bebê no colo

A resposta é simples: sempre que possível — e sempre que fizer sentido. O choro é a principal forma de comunicação do bebê. Ele pode indicar fome, sono, desconforto, necessidade de troca de fralda ou apenas vontade de contato. Ao pegar no colo, fica mais fácil entender o que ele precisa, além de oferecer conforto imediato.

O colo também fortalece o vínculo e ajuda o bebê a se sentir seguro. Usar carregadores pode ser uma alternativa prática para manter essa proximidade no dia a dia, permitindo realizar outras tarefas enquanto o bebê continua perto.

O equilíbrio também é importante

Apesar de todos os benefícios do colo, também é importante que quem cuida tenha momentos de pausa. Colocar o bebê em um local seguro, como o berço, ou deixá-lo com outro cuidador por alguns minutos é necessário em diversas situações.

Outra orientação importante envolve o sono: o ideal é que o bebê durma de barriga para cima, em seu próprio berço. Essa prática reduz o risco de sufocamento acidental e da síndrome da morte súbita infantil.

Quando o colo não resolve o choro

Mesmo depois de atender às necessidades básicas, alguns bebês continuam chorando. Isso também é esperado.

Nesses momentos, outras estratégias podem ajudar: mudar o ambiente, balançar suavemente, cantar, oferecer um banho, sair para tomar ar fresco ou usar sons repetitivos podem ser alternativas.

Ainda assim, pode acontecer de nada funcionar imediatamente. Em muitos casos, o choro faz parte do desenvolvimento e tende a diminuir com o tempo.

O mais importante: presença e conexão

O que a ciência reforça é simples: o contato físico é essencial para o desenvolvimento e bem-estar do bebê. Segurar, acolher e estar presente não “estraga” — pelo contrário, constrói segurança, vínculo e contribui para o desenvolvimento do cérebro.

Mesmo quando o bebê continua chorando, o colo comunica algo fundamental: ele não está sozinho.

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