A morte de Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, provocou comoção nacional e ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (06). O pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a madrasta, Kathellen Moreira, foram presos preventivamente após a investigação apontar indícios de que o menino foi vítima de homicídio. O caso também mobilizou moradores de Palmas (TO), que organizam uma manifestação batizada de “Justiça por Gustavo”.
Por que pai e madrasta foram presos?
Segundo a Polícia Civil, Igor Gustavo Veloso de Sousa procurou espontaneamente a delegacia para comunicar a morte do filho e afirmou que a criança havia se afogado. Como, naquele momento, havia apenas essa versão dos fatos, não existiam elementos jurídicos que justificassem uma prisão em flagrante.
“Não havia como pedir a prisão sem demonstrar as circunstâncias da morte”, afirmou o delegado.
As investigações continuam e a Polícia Civil pretende confrontar os depoimentos dos investigados com os elementos reunidos pela perícia para esclarecer a participação de cada um no caso.
Laudo descartou afogamento e apontou sinais de violência
O caso teve uma reviravolta após o Instituto Médico Legal concluir que Gustavo não morreu por afogamento. Conforme os exames, a criança sofreu uma laceração intestinal que provocou hemorragia interna e externa, além de apresentar diversas lesões pelo corpo.
O diretor do IML, Eduardo Godinho, afirmou que o menino apresentava sinais de extrema violência e classificou o caso como um dos mais graves que já acompanhou em quase duas décadas de atuação como médico legista.
Segundo a Polícia Civil, o laudo também identificou lesões incompatíveis com a versão apresentada inicialmente pelo pai, informação considerada determinante para o avanço das investigações.
Vídeo, disputa pela guarda e manifestação por justiça
Antes mesmo das prisões, o caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de um vídeo gravado pela mãe de Gustavo. Nas imagens, registradas dias antes da morte, o menino diz que não queria ir para a casa do pai porque “ele me bate”.
A defesa da mãe afirmou que ela já havia percebido lesões na criança após visitas ao pai, mas temia denunciar o caso por receio de sofrer acusações de alienação parental e por medo de ameaças que, segundo a advogada, atingiam a família.
Diante da repercussão, moradores de Palmas organizaram uma mobilização chamada “Justiça por Gustavo”. O ato está marcado para a tarde desta quinta-feira (06) e pede rigor na punição dos responsáveis, além de reforçar a necessidade de maior proteção às crianças vítimas de violência.
Enquanto o inquérito avança, Igor Gustavo Veloso de Sousa permanece preso no sistema prisional masculino e Kathellen Moreira na unidade prisional feminina. A Polícia Civil informou que novas diligências e interrogatórios ainda serão realizados antes da conclusão das investigações.
Velório foi marcado por forte comoção
O sepultamento de Gustavo Veloso Feitosa, realizado na terça-feira (04), foi acompanhado por familiares, amigos e moradores de Palmas. Durante a despedida, uma imagem da mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, abraçada ao pequeno caixão branco do filho, passou a circular nas redes sociais e se tornou um dos principais símbolos da comoção provocada pelo caso.
Em meio ao luto, Sabrina voltou a cobrar justiça pela morte do menino e afirmou que não consegue encontrar explicação para a violência sofrida pelo filho.
“Meu filho sofreu muito. Não tem motivo, não tem pensão, não tem ódio. Não justifica se ele tem raiva de mim porque eu processei, se ele está devendo muito em pensão. Não justifica o que ele fez. Não justifica”, desabafou.
Nos últimos dias, também repercutiu um vídeo gravado pouco antes da morte de Gustavo. Nas imagens, a criança chora e diz que não queria ir para a casa do pai. Em entrevistas, Sabrina afirmou ainda que o filho retornava das visitas com hematomas e que chegou a questionar o ex-companheiro sobre as lesões, mas recebia como resposta que o menino havia caído.
*Com informações da Gazeta do Cerrado e T1 Notícias/ND+