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Estudo aponta que falar mais de um idioma pode ajudar a retardar envelhecimento do cérebro

Pesquisa apresentada em fórum europeu de neurociência indica que pessoas bilíngues e multilíngues podem apresentar uma “idade cerebral” menor em comparação com quem fala apenas um idioma

Estudo aponta que falar mais de um idioma pode ajudar a retardar envelhecimento do cérebro
Foto: Veronika Oliinyk / Getty Images

Aprender e utilizar um segundo idioma pode trazer benefícios além da comunicação. Um estudo apresentado na segunda-feira (6) durante o Fórum da Federação Europeia das Sociedades de Neurociência aponta que o bilinguismo e o multilinguismo podem estar associados a um envelhecimento mais lento do cérebro.

A pesquisa analisou 728 pessoas da região basca, na Espanha, local onde é comum o uso de mais de uma língua. Os participantes falavam entre um e quatro idiomas, incluindo espanhol, basco, francês e inglês.

Para avaliar o envelhecimento cerebral, os pesquisadores utilizaram a magnetoencefalografia, técnica capaz de medir os campos magnéticos produzidos pela atividade elétrica do cérebro. Os dados coletados foram analisados por um sistema de inteligência artificial, que estimou a chamada “idade cerebral” dos participantes.

Os resultados indicaram que pessoas bilíngues apresentavam cérebros que aparentavam ser, em média, seis anos mais jovens do que os de indivíduos que falavam apenas um idioma.

Entre os participantes que dominavam três línguas, a diferença chegou a aproximadamente sete anos. Já aqueles que falavam quatro idiomas apresentaram uma idade cerebral estimada cerca de 13 anos inferior à idade cronológica.

Segundo a pesquisadora Lucia Amoruso, responsável pelo estudo, os benefícios não dependem apenas da quantidade de idiomas aprendidos, mas também da qualidade da experiência linguística.

“A maior proficiência linguística e o aprendizado precoce de uma segunda língua também estiveram associados a um envelhecimento cerebral mais lento. Isso indica que a profundidade e o tempo de exposição à experiência multilíngue fazem diferença”, explicou.

Durante a análise, os pesquisadores levaram em consideração fatores como idade, sexo e escolaridade. Ainda assim, eles ressaltam que outros elementos podem influenciar a saúde cerebral, como alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, estilo de vida e interação social.

A professora Christina Dalla destacou que hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para preservar as funções cognitivas ao longo da vida. Entre as recomendações estão evitar o tabagismo, manter uma rotina social ativa, participar de atividades culturais e estimular constantemente o cérebro.

Apesar dos resultados indicarem uma relação positiva entre o aprendizado de idiomas e a saúde cerebral, os cientistas afirmam que novas pesquisas serão necessárias para confirmar se o multilinguismo é diretamente responsável pelo retardamento do envelhecimento do cérebro.

Portal de Beltrão, com SBTNEWS

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