O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado na última sexta-feira (16), no Paraguai, deve beneficiar diretamente o agronegócio do Paraná, especialmente nos segmentos de carnes, café e óleos vegetais. A avaliação é de representantes do setor no estado, que destacam o potencial de ampliação das exportações sem impacto imediato nos preços ao consumidor.
Embora o tratado ainda dependa de aprovação nos parlamentos dos países que integram os dois blocos, a expectativa é de crescimento gradual das vendas externas assim que o acordo entrar em vigor. O texto prevê a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários comprados pela União Europeia do Mercosul, com reduções progressivas que variam de quatro a dez anos, conforme o produto.
Mesmo produtores que não exportam diretamente devem sentir os reflexos do acordo. É o caso do suinocultor Rafael Ansolin, de Toledo, no oeste do estado, que integra uma cadeia produtiva voltada ao mercado externo. Segundo ele, a certificação exigida para exportação traz mais segurança à produção. “Existe um compromisso com a cooperativa e uma certificação que garante a destinação do produto”, afirma.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o aumento das exportações tende a diluir custos e não deve provocar alta nos preços internos. “Não há expectativa de aumento para o consumidor. O efeito do acordo será gradual”, ressalta.
Avaliação semelhante faz Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Ele explica que a redução total das tarifas pode levar até uma década. “O cenário atual é de estabilidade. O acordo não gera efeitos de curto prazo, e o mercado interno é bastante resiliente quando se fala em preços”, pontua.
No campo, a expectativa é de expansão da produção ao longo dos próximos anos, conforme a demanda. Santin destaca que, apesar do aumento das exigências, o acordo pode resultar em melhor remuneração para toda a cadeia produtiva. “Haverá mais critérios na granja, mas também mais renda para produtores, trabalhadores e serviços ligados ao setor”, afirma.
A entrada no mercado europeu exige controle rigoroso de origem, métodos de produção e cumprimento de normas ambientais. Segundo lideranças do setor, o Paraná parte em vantagem por já atender grande parte dessas exigências, especialmente nas áreas sanitária e de rastreabilidade. “O estado tem sistemas consolidados e produtores capacitados”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
Em 2025, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas de produtos agropecuários para a União Europeia, com faturamento superior a US$ 2 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. Entre os principais itens estão soja, milho, carnes, café, além de produtos industrializados e de maior valor agregado. A projeção do setor é de ampliação dos volumes e do valor agregado nos próximos anos.