No Sudoeste do Paraná, foram plantados 125 mil hectares de trigo, conforme o Departamento de Economia Rural (DERAL). A estimativa inicial era de produzir de 3.100 a 3.200 kg por hectare, em torno de 400 a 412 toneladas. Hoje, 90% das lavouras de trigo estão na fase de floração e frutificação, ambos considerados períodos críticos. Vale ressaltar que o trigo é uma cultura de alto risco. Seu custo de produção é elevado, chega a 120 a 125 sacos de custo de produção por alqueire.
Um inimigo desta cultura é a geada, por trazer vários prejuízos. Este fenômeno climático comum na região prejudica a formação do grão e cachos, consequentemente o peso deste. O técnico agrícola Antoninho Fontanella, que atua na Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento, núcleo regional de Francisco Beltrão, comentou sobre o resultado da geada perante a atual produção:
“Vários técnicos e produtores nos falaram que aparentemente a geada não tinha feito nada. Mas com a experiência que nós temos com a cultura, sabe-se que leva de 8 a 10 dias para aparecer os sintomas.
Como não choveu nesta semana, o efeito da geada demorou mais para aparecer. Já se fala em quebra situada na fase 10% da produção da nossa região. Isso é um número bastante significativo, uma quebra superior a 40 mil toneladas de trigo. Apesar disso, há lavouras, que em função da fase que ela se encontra, que está mais adiantada, não vai apresentar quebra.
A gente vai fazer uma avaliação melhor aí nos próximos dias. Porém, muitos produtores só vão perceber essa questão da quebra do trigo, quando adentrarem com as máquinas para efetuar a colheita. Temos lavouras que que vão apresentar quebra superior aos 10% de até 50%, 30%”, afirma Fontanella.
Além disso, já tem se observado muitos produtores procurando agências bancárias, para encaminhar o pedido do PROAGRO dessas lavouras. Atualmente, esse programa é financiado através do CPF. Porém, há uma proposta do Ministério da Agricultura que muda essa situação. Ela faria com que o financiamento fosse feito somente pela pela matrícula daquela propriedade. Para Antoninho, isso é extremamente prejudicial:
“Independente de quem plantar naquela matrícula, ele vai financiar, vai fazer o projeto em cima daquela matrícula. E aí com o terceiro pedido de PROAGRO em cima da matrícula, qualquer um que venha a plantar naquela lavoura, não vai ter mais a cobertura do PROAGRO, em função da intenção do Ministério da Agricultura. Esperamos que a coisa ande e que se faça pelo melhor não só para o produtor, mas para que nós temos uma garantia de produção”, finaliza ele.
Portal de Beltrão