No Sudoeste do Paraná, a pesquisa do custo da cesta básica de alimentação é realizada pelo GPEAD (Grupo de pesquisa em Economia, Agricultura e Desenvolvimento, afeto ao curso de Ciências Econômicas da Unioeste, campus de Francisco Beltrão) e instituições parceiras. Em abril, o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou nos 03 municípios pesquisados, (3,41%) em Dois Vizinhos, (0,21%) em Francisco Beltrão e (8,03%) em Pato Branco. Em valores monetários, a alta em relação ao mês anterior foi de R$ 20,80 em Dois Vizinhos, R$ 1,28 em Francisco Beltrão e de R$ 45,47 em Pato Branco. A cesta básica de alimentação com maior valor, no âmbito das localidades pesquisadas pelo GPEAD, foi a de Dois Vizinhos, R$ 630,14, seguida por Pato Branco, R$ 611,53 e, a cesta de menor valor foi a de Francisco Beltrão, R$ 608,32.
O cálculo do valor gasto com a alimentação básica para uma família de tamanho médio (02 adultos e duas crianças – considerando que 02 crianças correspondem a 01 adulto) exige a multiplicação do valor monetário da cesta básica individual por 03. O salário mínimo necessário, é importante esclarecer, expressa o quanto monetariamente seria preciso para que os trabalhadores residentes nas cidades pesquisadas pelo GPEAD ou pelo Dieese, pudessem satisfazer, em abril, a integralidade das demandas familiares previstas constitucionalmente, quais sejam: “[...] moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social” (Art. 7º. CF/88). Considerando os dados apurados para o mês de abril, o salário mínimo nacional, tanto o bruto (R$ 1.212,00) quanto o líquido (R$ 1.121,10) mostraram-se insuficientes para assegurar a aquisição da cesta básica de alimentação familiar, tanto para as cidades pesquisadas pelo GPEAD quanto para as demais localidades selecionadas. Se observada a determinação legal, para a manutenção de uma família de quatro pessoas, ou seja, se consideradas as necessidades básicas para além da alimentação, o salário mínimo deveria ter sido, em abril, de: R$ 5.293,80, em Dois Vizinhos, R$ 5.110,53, em Francisco Beltrão e R$ 5.137,44, em Pato Branco. Comparando o valor da cesta de abril de 2022 com o mesmo mês de 2021 constata-se um aumento de 29,23%, em Dois Vizinhos; de 22,67%, em Francisco Beltrão; e de 33,78%, em Pato Branco.
A jornada de trabalho necessária para adquirir a cesta básica é normalmente proporcional às variações do valor mensal desta, ou seja, quando aumenta o valor da cesta aumenta a quantidade de horas necessárias de trabalho para adquiri-la. Em abril de 2022, o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica individual foi de 114h e 23m, em Dois Vizinhos; de 110h e 25m, em Francisco Beltrão e de 111h e 00m, em Pato Branco. Quando se compara o custo da cesta individual e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), o trabalhador de Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco, remunerado pelo piso nacional, comprometeu com a aquisição da cesta básica individual 61,93%, 59,79%, e 60,10% da sua renda, respectivamente.
Os produtos da cesta básica de alimentação cujos preços médios aumentaram na maioria das capitais pesquisadas pelo Dieese foram: óleo de soja, pão francês, farinha de trigo, leite integral, batata, arroz, café em pó e feijão. Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, todos os produtos que integram a cesta básica de alimentação apresentaram alta em seus preços médios, com exceção do açúcar e alguns outros produtos que tiveram retração de preço em apenas uma das localidades pesquisadas. A alta no preço do óleo de soja foi registrada em todas as capitais. As variações oscilaram entre 0,50%, em Vitória, e 11,34%, em Brasília. Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, o aumento de preços foi de (0,18%) em Dois Vizinhos, (6,04%) em Pato Branco; diferentemente, em Francisco Beltrão houve redução de preço em (-0,11%). Segundo o Dieese, os aumentos de preço decorrem de uma maior demanda externa e preços elevados no mercado internacional.
O preço do quilo do pão francês subiu em todas as cidades pesquisadas pelo Dieese. As altas mais expressivas foram observadas em Campo Grande (11,37%), Aracaju (9,70%) e Porto Alegre (7,07%). Nas cidades pesquisadas no Sudoeste do Paraná, o preço do pão francês aumentou em Dois Vizinhos, (7,01%) e em Pato Branco (0,82%). Em Francisco Beltrão houve recuo de (-4,17%). A farinha de trigo, coletada nas capitais do CentroSul apresentou elevações de preço, bem como nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, à exceção de Pato Branco. As altas de preço do pão e da farinha de trigo estão associadas a “redução da oferta de trigo no mercado externo, por causa do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e, internamente, a valorização do dólar em relação ao real fez com que o produto importado chegasse mais caro ao país”, segundo Dieese.
O leite integral registrou aumento de preços em todas as 17 cidades pesquisadas. As maiores elevações ocorreram em Florianópolis (15,57%), Curitiba (14,15%), Porto Alegre (13,46%). Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, o preço do leite integral aumentou em todas, (13,50%) em Dois Vizinhos, (12,97%) em Francisco Beltrão, e (22,22%) em Pato Branco. O preço médio do quilo da batata, coletada na região Centro-Sul, apresentou aumento em todas as capitais, com taxas entre 14,63%, em Porto Alegre, e 39,10%, em Campo Grande. Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, o preço da batata aumentou em todas, (9,39%) em Dois Vizinhos, (18,49%) em Francisco Beltrão, e (27,42%) em Pato Branco. Segundo o Dieese, as chuvas e a maior demanda pelo tubérculo no período da semana santa provocaram redução na oferta, o que elevou o preço no varejo. O preço do quilo do café em pó subiu em 16 capitais, exceto em Vitória (-2,73%).
Os principais aumentos ocorreram em Aracaju (7,58%), Florianópolis (4,67%). Nas cidades do Sudoeste do Paraná, a alta no preço médio do café foi de (6,26%) em Dois Vizinhos, (3,88%) em Francisco Beltrão e (40,4%) em Pato Branco. Segundo o Dieese, “a valorização do dólar e a alta dos preços internacionais explicaram a elevação no varejo”. A alta no preço médio do feijão ocorreu tanto para o tipo carioquinha, quanto para o tipo preto. O feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, apresentou alta de preços em Porto Alegre (2,51%), Curitiba (2,44%) e Rio de Janeiro (0,57%) e reduções de preço em Vitória (-2,68%) e Florianópolis (-2,20%). Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, a alta no preço médio do feijão preto foi de (3,09%) em Pato Branco e (0,94%) em Dois Vizinhos. Em Francisco Beltrão, houve retração de (-0,41%).
O preço médio do arroz agulhinha aumentou em 16 capitais. As altas oscilaram entre (0,17%), em João Pessoa, e (10,24%), em Curitiba. A redução de preço ocorreu em Campo Grande (- 2,70%). Nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, é coletado o preço do arroz parboilizado, que apresentou elevação de preços em Francisco Beltrão (0,60%) e Pato Branco (3,05%). Em Dois Vizinhos ocorreu retração de (-5,78%). A valorização do grão no mercado internacional explica parte da alta no preço do arroz, mesmo com o avanço da colheita em abril e a maior oferta do produto. O preço médio do quilo do tomate apresentou significativas oscilações de preço nas cidades pesquisadas pelo GPEAD, com aumento de preços em Pato Branco (60,59%) e Dois Vizinhos (10,47%), diferentemente, em Francisco Beltrão houve retração de (-14,09%).
Portal de Beltrão com dados do GPEAD