De acordo com o presidente do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite em Santa Catarina, José Araújo, o impacto foi de cerca de vinte centavos por litro de leite.
Em dezembro de 2020, segundo a tabela do Conseleite, o preço médio era R$ 1,71. Caiu onze centavos em janeiro, para R$ 1,60. E, segundo a projeção para fevereiro baixou mais oito centavos, ficando em R$ 1,52 o litro.
"O problema maior é que enquanto o Conseleite apresentou uma projeção de baixa em torno de oito centavos, a indústria baixou 20. É uma total falta de respeito com os produtores", afirmou Araújo.
Os valores ainda estão acima dos praticados em janeiro do ano passado, quando o produtor recebia R$ 1,22 pelo valor médio de referência. Mas, estão bem abaixo dos registros no mês de setembro de 2020, que teve maior alta no ano passado e constatou R$ 1,79 pelo valor de referência.
"As empresas justificam uma queda no consumo. Mas, os preços praticados pela indústria estão muito aquém dos custos de produção", ressalta o presidente do Conseleite.
Ele observa que, não bastasse a queda brusca no preço pago pelo litro, os produtores ainda estão sendo penalizados pelo reflexo da estiagem. "Conseguimos produzir pouco alimento e de baixa qualidade. Então, tivemos que comprar e ainda pagar caro. O custo dos insumos para novos plantios estão altíssimos e ainda somos afetados pela importação do leite em pó argentino", contextualiza José Araújo.
No começo desta semana, por exemplo, o Cepa, Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri de São Miguel do Oeste registrou a venda da saca de milho por R$ 82 e de soja por R$ 157. Na mesma época do ano passado eram vendidas por R$ 45 e R$ 87. Um aumento de R$ 37 na saca de milho e de R$ 70 na saca de soja.
Ele relata preocupação com o cenário, inclusive por que o preço dos insumos agrícolas e do próprio óleo diesel, utilizado pelas máquinas, tem subido mês a mês. "Em muitos casos o preço pago pelo leite não cobre os custos de produção tanto é que muitos estão deixando a atividade", lamenta.
Araújo assinala que, atualmente, o preço pago pela carne bovina compensa o descarte em açougue. Em São Miguel do Oeste, segundo a Epagri/Cepa, no começo da semana, a arroba do boi gordo era cotada a R$ 280 reais, em torno de cem reais a mais do que no mesmo período do ano passado. O problema,na análise dele, é o impacto dessa decisão no plantel e na produção leiteira, bem como na rentabilidade dos produtores no futuro.
Liange Gattermann/Rádio Integração