O envelhecimento dos trabalhadores rurais e a redução da presença de jovens no campo colocam a sucessão das propriedades entre os principais desafios da agropecuária brasileira. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), do IBGE, mostram que, nos últimos 14 anos, aumentou a participação de pessoas com 55 anos ou mais entre os trabalhadores do setor, enquanto a presença de jovens de 16 a 22 anos diminuiu.
No primeiro trimestre de 2026, 1,84 milhão de trabalhadores com 55 anos ou mais estavam ocupados na agropecuária, representando 23,86% dos 7,7 milhões de trabalhadores do setor. Em 2012, essa faixa etária correspondia a 19,3% da mão de obra.
Entre os jovens de 16 a 22 anos, eram 688,6 mil trabalhadores em 2026, o equivalente a 8,93% do total. Em 2012, eram 1,13 milhão, ou 11,5% da mão de obra rural.
Para especialistas, o cenário é resultado da transição demográfica brasileira, mas também está relacionado à busca dos jovens por outras profissões e às transformações tecnológicas no campo. A situação aumenta a preocupação sobre quem assumirá as propriedades rurais nos próximos anos.
Aposentadoria e planejamento
O envelhecimento também traz desafios financeiros para os trabalhadores que estão deixando gradualmente a atividade. Em julho de 2026, o Brasil registrava 7,88 milhões de aposentadorias rurais ativas, contra cerca de 5,95 milhões em 2010.
Especialistas alertam, porém, que a aposentadoria nem sempre substitui a renda obtida com a produção. Como grande parte do patrimônio dos produtores está concentrada em terras, máquinas e outros bens, a falta de planejamento financeiro pode levar à venda desses ativos de forma inadequada.
Nesse contexto, o planejamento sucessório é apontado como fundamental para organizar a transferência da propriedade, a gestão do negócio e a renda das próximas gerações.
Jovens precisam enxergar futuro no campo
Apesar dos desafios, histórias de famílias que conseguiram realizar a sucessão mostram que a permanência dos jovens pode ser favorecida quando o campo oferece oportunidades profissionais e condições de vida adequadas.
Especialistas destacam que fatores como renda, acesso à tecnologia, educação, assistência técnica, conectividade, saúde e infraestrutura são importantes para tornar o meio rural mais atrativo.
A modernização também pode contribuir para aproximar os jovens da atividade. O trabalho rural passou a exigir conhecimentos em áreas como informática, GPS, georreferenciamento, drones, sensores e robótica, criando novas possibilidades profissionais dentro das propriedades.
Para representantes do setor, a capacitação é uma das ferramentas para garantir a sucessão. A ideia é preparar os jovens para assumir não apenas o trabalho operacional, mas também a gestão e a modernização das propriedades.
O desafio, portanto, vai além de encontrar um sucessor dentro da família. É necessário criar condições para que os jovens enxerguem o campo como uma escolha profissional capaz de proporcionar renda, qualidade de vida e perspectivas de futuro.
