No Brasil desde 13 de fevereiro, o ex-preparador físico do Pato Futsal, Alexandre Junior Buffolin, o Duda, acompanha com atenção os acontecimentos no Oriente Médio, em especial no Iraque, onde atualmente trabalha como preparador físico da seleção daquele país. Ele e a família estão em Palotina, no Paraná.
De férias e com o retorno ao Iraque, programado para abril até os acontecimentos do sábado, 28 de fevereiro, — quando uma ação coordenada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que desencadeou um novo conflito no Oriente Médio —, Duda acompanha as informações que chegam do continente asiático.
“Até o momento a Federação Iraquiana não nos comunicou de nada. A próxima data Fifa é de 6 a 15 de abril, que é o período que devemos estar lá. Mas, tudo vai depender de como essa guerra vai se desenrolar”, afirma o preparado físico que relata que as informações recebidas de pessoas próximas que estão no Iraque é de que, em meio ao conflito, o país está segundo até o momento. “Bagdá (capital do Iraque, que está na região central do país) não teve nada. Só numa base aérea dos Estados Unidos, mas bem ao norte do país”.
Duda comenta que, como a guerra afeta principalmente os aeroportos e o espaço aéreo, tem amigos do Kuwait que estão há dois dias presos no Catar, “porque espaço aéreo fechou. Não tem voos.” Já com relação a um possível retorno ao Iraque ele comenta que “geralmente fazemos escala no Catar ou Emirados Árabes quando viajamos ao Iraque”, o que também é impensável no momento.
Realidade antes da guerra
Antes do conflito, Duda comenta que, “[no Iraque] tudo estava tranquilo”. Ele recorda que, em janeiro e início de fevereiro deste ano, momento em que o coordenador das categorias de base do Pato Futsal, Richard Nascimento esteve a serviço da Seleção Iraquiana, a delegação viajou para a Indonésia e Kuwait, e somente não jogou no Irã devido aos protestos da primeira quinzena de janeiro, momento em que os Estados Unidos ameaçava invadir o país. “Com aqueles protestos optamos por não viajar pra lá. Pois não era seguro naquele momento.”
Duda também comenta que, desde que iniciou seu trabalho no Iraque, esteve no Bahrein, por duas vezes no Líbano, na Arábia Saudita, no Kuwait, Catar e nos Emirados Árabes Unidos, com jogos e treinamentos. “Em todos sempre estivemos muito seguros.”
Com relação a presença de brasileiros no Iraque, ele comente que vários jogadores de futebol vivem no país, enquanto que no futsal esse número é bem reduzido.
Vida no Iraque
“O Iraque propriamente falando é tranquilo pra viver e trabalhar. Nunca teve qualquer situação desde que estamos trabalhando lá”, afirma Duda ao relembrar que o país já vivenciou duas guerras, sendo uma conta o Irã que durou quase 8 anos, —iniciou em 22 de setembro de 1980 e teve o cessar-fogo em 20 de agosto de 1988. “Então afetou muito a infraestrutura do país. Vemos muita reconstrução, muitas obras pela cidade toda, mesmo após longos anos sem guerra.”
Além dos resquícios das guerras passadas, ele comenta que “é um país com muitas universidades, hospitais. Vive-se bem lá. Temos segurança em andar pela cidade, para morar. É um país com um povo muito acolhedor. Se tem muito respeito por nós brasileiros.”
Brasileiros no Oriente Médio
De acordo com o Itamaraty, cerca de 70 mil brasileiros vivem no Oriente Médio. O levantamento aponta que são cerca de 22 mil no Líbano; 14 mil em Israel; 100 no Iraque; 3,5 mil na Jorndânia; 280 no Kuwait; 85 no Irã; 300 no Bahrein; 2 mil no Catar e 10.365 nos Emirados Árabes Unidos.
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