Pesquisa Datafolha divulgada no fim de 2025 revelou que 43% dos brasileiros admitem não ter nenhum dinheiro guardado. O levantamento mostra ainda que os imprevistos pesam no bolso: 84% dos entrevistados enfrentaram ao menos uma situação emergencial nos últimos 12 meses, como atraso no pagamento de contas, necessidade de pedir dinheiro emprestado, uso de crédito ou até ficar com o nome negativado.
A falta de um “colchão” financeiro deixa milhões de famílias vulneráveis a situações que podem rapidamente evoluir para um ciclo de endividamento, expondo que ainda há fragilidade das finanças domésticas. Para Victhor Manuel Zanella Rufatto, cooperativista e gerente de Relacionamento de Grandes Negócios do Sicoob Integrado, a reserva financeira é a base para a segurança econômica de uma família. “A reserva financeira é um dos pilares da saúde financeira. Ela garante segurança, estabilidade e previsibilidade diante de cenários adversos. Imprevistos como desemprego, problemas de saúde e outros deixam de ser crises quando existe planejamento”, explica.
O tamanho ideal e os riscos da ausência
A recomendação geral dos especialistas é que a reserva de emergência cubra, no mínimo, seis meses do custo de vida da pessoa ou da família. “O cálculo deve considerar todas as despesas essenciais, como moradia, alimentação, saúde e educação. É fundamental que esse recurso esteja aplicado em ativos de alta liquidez e baixo risco, permitindo resgate imediato quando necessário”, orienta Rufatto.
A ausência desse planejamento, diz o especialista, aumenta drasticamente os riscos. “Sem dúvida. A falta de uma reserva transforma situações pontuais em crises, e pequenos imprevistos podem desencadear um ciclo de endividamento”, alerta o gerente. Em momentos de urgência, muitas pessoas recorrem a empréstimos por impulso, focando apenas em resolver o problema imediato, sem analisar as condições e o impacto futuro no orçamento.
Como agir em uma emergência e o papel do cooperativismo
Na ocorrência de uma emergência financeira, a primeira medida é manter a organização. Utilizar a própria reserva deve ser sempre a prioridade. Na ausência dela, o caminho mais adequado envolve renegociar dívidas, cortar despesas não essenciais e, se o crédito for inevitável, buscar opções com taxas justas e um plano de pagamento claro. Nesse contexto, o modelo cooperativista se destaca por oferecer um suporte mais humanizado. “No Sicoob Integrado, oferecemos atendimento personalizado e soluções adequadas à realidade de cada associado. O objetivo é conceder crédito, mas de forma a contribuir para a sustentabilidade financeira do cooperado no longo prazo”, afirma Rufatto.
Rufatto conclui que a mudança desse cenário passa, fundamentalmente, pela forma como o brasileiro lida com o seu dinheiro. “A educação financeira é um fator determinante para a construção de estabilidade e prosperidade, mas, infelizmente, ainda não faz parte da cultura da maioria dos brasileiros. A reserva financeira traz autonomia, liberdade de decisão e segurança. Investir em educação financeira é investir em desenvolvimento individual, familiar e coletivo”, finaliza.
Datafolha