A maior tragédia ferroviária da capital paulista completa 39 anos nesta segunda-feira, 17 de fevereiro. O acidente ocorreu em 17 de fevereiro de 1987, na antiga estação Itaquera, na zona Leste de São Paulo, e deixou 58 mortos e 140 feridos.
Era por volta das 15h27 quando duas composições da CBTU colidiram frontalmente a cerca de 300 metros da estação. Uma locomotiva finalizava uma manobra de desvio a aproximadamente 40 km/h, enquanto o outro trem seguia na mesma via, em sentido contrário, a cerca de 70 km/h.

A primeira composição, prefixo UW 56, havia partido da estação Roosevelt, atual Brás, com destino a Mogi das Cruzes. Já o trem UW 77 fazia o trajeto inverso, saindo de Mogi em direção ao centro da capital. Cada composição transportava cerca de 3 mil passageiros.
Devido a obras de manutenção, um dos trens circulava temporariamente na contramão por alguns quilômetros. O choque foi violento e rompeu a estrutura metálica das composições. Uma das locomotivas foi atingida a partir do quarto vagão.
Na época, a ferrovia era administrada pela CBTU. Investigações iniciais apontaram falha humana, indicando que o maquinista teria acionado os freios apenas a 300 metros da outra composição, quando o recomendado seria 500 metros. Posteriormente, também foi constatada deficiência na sinalização do trecho, incluindo a ausência de um semáforo que indicaria parada obrigatória, removido para manutenção.
O local da colisão, a antiga estação Itaquera, hoje corresponde à Praça da Estação, no centro do bairro.
O dia 17 de fevereiro de 1987 permanece como uma das páginas mais dolorosas da história do transporte ferroviário brasileiro, lembrado pelas vidas perdidas e pelas mudanças que impulsionou na segurança do sistema ferroviário.
Antonio Mendonça/ Catve