Sindicato da aviação denuncia piloto que usou drone agrícola T100 para transporte pessoal em fazenda de Tucumã, no Pará, violando normas da aviação civil.
Pelas imagens, o modelo usado é o drone agrícola T100, avaliado em R$ 300 mil e usado no mundo agrícola para pulverização, semeadura e elevação. Segundo a empresa que faz a venda no Brasil, a capacidade de elevação é de 100 kg. A capacidade, porém, não é para transporte de passageiros e a situação não passou despercebida.
As imagens que criculam nas redes sociais, mostram Hudson Vinicius, piloto de drone na região do Pará, adaptando o equipamento para “taxear no pasto“. Com uma garrafa térmica na mão e o controle do drone na outra, ele é irônico com o amigo que filma tudo: “Vou ali buscar água pra nós gurizinho…“.
Denúncia formal à Anac
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola – Sindag apresentou uma denúncia formal à Agência Nacional de Aviação Civil. O objetivo é apurar possíveis infrações e riscos operacionais identificados no vídeo gravado em Tucumã, além de possíveis violações às normas que regem a aviação civil e as operações aeroagrícolas no Brasil.
O Sindag espera que os fatos sejam devidamente apurados pela autoridade aeronáutica competente e que, caso sejam confirmadas irregularidades, sejam aplicadas as sanções cabíveis, conforme previsto na legislação vigente.
Riscos à segurança
Em nota, a entidade repudiou a conduta registrada no vídeo, ressaltando que ela expõe riscos à segurança das pessoas e ao meio ambiente, além de confrontar os princípios de responsabilidade, profissionalismo e compromisso com a segurança que norteiam o setor aeroagrícola brasileiro.
Segundo o sindicato, o comportamento exibido no material também desrespeita o trabalho de milhares de técnicos, agrônomos, gestores, auxiliares e pilotos de drones, helicópteros e aviões que atuam diariamente nas operações aeroagrícolas com rigor técnico. Esses profissionais, conforme destacou a entidade, contribuem para a construção de uma das maiores, mais reguladas e mais qualificadas aviações agrícolas do mundo.
Em termos de desempenho operacional, o equipamento foi projetado para maximizar a produtividade no campo, dobrando a eficiência em diversas aplicações. O drone conta com um tanque de pulverização de 100 litros, com taxa de fluxo de 40 L/min. É equipado também com tanque de dispersão de 150 litros, capaz de atingir uma taxa de fluxo de 400 kg/min. A velocidade máxima de operação chega a 20 m/s, o que permite uma cobertura ágil de grandes extensões de terra.
Impacto no setor
O uso inadequado de tecnologia agrícola de ponta chama atenção para a necessidade de conscientização sobre os limites e finalidades dos equipamentos. Enquanto o T100 representa avanço significativo para a agricultura brasileira, seu desvio de função pode comprometer a reputação do setor e a segurança operacional.
Especialistas alertam que ações como essa não apenas violam regulamentações, mas também colocam em risco investimentos em inovação tecnológica no campo. O setor aeroagrícola brasileiro tem buscado reconhecimento internacional pela qualidade e segurança de suas operações, e episódios isolados podem comprometer esse esforço coletivo.
Agronews