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Motorista de caminhão que provocou 18 acidentes em sequência comprou baldes de cerveja e caipirinhas antes de dirigir, revela investigação

Exame também confirmou uso de cocaína. Motorista foi indiciado por tentativa de homicídio, dirigir com capacidade psicomotora alterada, omissão de socorro e por fugir do local dos acidentes

O motorista de caminhão Nilson Pedro Dos Santos foi indiciado nesta segunda-feira (23) pela Polícia Civil do Paraná por provocar 18 acidentes em sequência entre Curitiba e Ponta Grossa, nos Campos Gerais.

De acordo com as investigações, no dia 14 de janeiro, o motorista provocou seis batidas na BR-277 e 12 na capital.

As investigações mostraram que, na madrugada daquele dia, o motorista frequentou um bar de Ponta Grossa. A comanda dele cita consumo de dois baldes de cerveja, três caipirinhas de cachaça e duas cervejas long neck, somando R$ 260,70.

O relatório do inquérito cita que o exame toxicológico a que o motorista foi submetido confirmou uso de cocaína. À polícia, Santos já tinha dito que bebeu e usou drogas antes de pegar a estrada.

De acordo com a polícia, em depoimento Santos disse que é usuário desse tipo de entorpecente devido à profissão.

"Desse modo, não é possível sequer estimar o número de vezes em que o investigado realizou viagens e transportou carregamentos sob efeitos de drogas, sem sequer se preocupar com a integridade física e com o risco que produzia a todos os usuários das vias, desprezando as leis de trânsito, no mínimo, por mais de uma vez", diz o relatório policial.

O motorista, de 35 anos, vai responder por: tentativa de homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), condução de veículo automotor com capacidade psicomotora alterada, omissão de socorro e por afastar-se do local do acidente.

Agora, o Ministério Público tem quinze dias para analisar o relatório da Polícia Civil.

Santos está preso desde o dia dos acidentes. O advogado de defesa do motorista, Niki Petterson, disse que não vai se manifestar sobre o indiciamento.

A investigação foi comandada pelo delegado Edgar Dias Santana. A apuração contou com análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas de laudos periciais.

Caminhão foi parado na região da Cidade Industrial, segundo PRF — Foto: Amanda Menezes/RPC

Caminhão foi parado na região da Cidade Industrial, segundo PRF — Foto: Amanda Menezes/RPC

Analisadas todas as provas, o delegado avaliou estar claro que Santos agiu de forma intencional, já que o motorista optou por ingerir bebida alcoólica e entorpecentes antes de dirigir.

O relatório policial cita que Santos "ignorou todas as advertências sobre sua condição e conduziu seu veículo de forma desgovernada, em alta velocidade, em ziguezague e trafegando inclusive na contramão e na canaleta de 'ônibus urbanos".

Descaso com a vida

O delegado destaca que, em nenhum dos 18 acidentes, o motorista teve a empatia, o interesse de parar o caminhão, ver como estavam as vítimas e prestar socorro.

"Além disso, o descaso com a vida alheia, talvez, motivada pelo altíssimo grau de alteração do condutor, fez com que o referido sequer demonstrasse qualquer tipo de preocupação com a situação dos veículos atingidos e dos demais envolvidos."

Ofício da Secretaria de Trânsito de Curitiba enviado à polícia aponta que radares registraram o veículo circulando a 105 km/h em Curitiba e a 109 km/h em Campo Largo.

Na Rua Major Heitor Guimarães, por exemplo, o caminhão trafegou a 90 km/h - velocidade 90% superior à permitida, de acordo com a secretaria.

O que dizem as empresas

A empresa proprietária da carga de cervejas que caiu na rodovia é a Rodo Drive, da região norte. Em nota, eles manifestaram "profundo respeito quanto ao indesejável acontecimento" e destacaram que Nilson, assim como o caminhão, são terceirizados.

A empresa também disse que instaurou sindicância "para apuração dos fatos, visando a elucidar todo o ocorrido".

A RPC apurou que Nilson é funcionário da empresa RRLog, com sede em Mandaguaçu. Em nota, a empresa disse que repudia a conduta do motorista e que ele chegou na noite de sexta-feira (13), às 19h30 em Ponta Grossa, para realizar a descarga na manhã de sábado (14).

A empresa também disse que "toda conduta de mudança de rota não foi orientado ou autorizado. Ele estava orientado a descansar e descarregar pela manhã".

G1PR

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