O caminhoneiro Nilson Pedro dos Santos, 35 anos, pediu, nesta segunda-feira (16), perdão às famílias envolvidas no acidente que provocou, após percorrer 140 km e causar seis batidas na estrada que liga Ponta Grossa a Curitiba e bater sequencialmente em 12 veículos.
Ele ainda mencionou o uso de drogas durante o trabalho. "Eles não sabem que isso é uma doença crônica que existe no mundo do caminhoneiro", disse.
A sequência de acidentes ocorreu no sábado (14); duas pessoas ficaram feridas. O caminhoneiro assumiu para a polícia que fez uso de rebite (droga sintética) e que estava há três dias sem dormir.
Nilson foi autuado por homicídio tentado, dirigir sob efeito de substância entorpecente, direção perigosa e omissão de socorro, conforme a delegada da Polícia Civil Vanessa Alice.
Os crimes não dão direito à fiança por conta da somatória das penas.
Nilson está preso e passará por audiência de custódia nesta segunda-feira. A Polícia Civil ainda ouvirá mais testemunhas e espera por laudos técnicos para continuar a investigação.
PRF diz que tentou localizar o caminhão
Fabiano Moreno, porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF), afirmou nesta segunda-feira que as equipes tentaram localizar o caminhão na rodovia, antes de chegar a Curitiba, mas não conseguiram.
"No trecho, nós tínhamos duas viaturas no momento. Todo o esforço foi empenhado. Foi suficiente? Não. Os fatos mostram que não foi suficiente. Então, todos os procedimentos, como estes, serão reavaliados".
Moreno disse ainda que a situação é rara.
"Nós tivemos aí um caminhoneiro, totalmente, alcoolizado. Tinha bebido duas cerveja, estava com sensação de perseguição. Ele disse à Polícia Civil que tinha usado drogas, não sabia de rebite ou cocaína e um veículo de carga, que é muito difícil de ser parado", complementou o agente.
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Motorista que causou série de acidentes em rodovia e em Curitiba está preso na capital paranaense. — Foto: RPC Curitiba
O advogado de defesa de Nilson, Niki Petterson, afirmou que o homem usou drogas para conseguir terminar viagem pois estava acordado há muitas horas. Frisou, ainda, que ele não teve intenção de machucar ninguém.
O motorista responde a outros quatro processos judiciais, sendo um de desacato à autoridade e três estão em sigilo.
Lei do descanso
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Caminhão atinge carros em diversos pontos de Curitiba — Foto: Reprodução
De acordo com artigo 67 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a jornada diária de trabalho do motorista profissional é de oito horas, com prorrogação feita mediante acordo.
O condutor é obrigado, dentro do período de 24 horas, realizar 11 horas de descanso, que podem ser fracionadas.
Além disso, segundo a lei, após seis horas de condução ininterruptas , o motorista precisa descansar por 30 minutos.
Dois feridos
Duas pessoas ficaram feridas, de acordo com a polícia, na série de batidas provocadas pelo caminhão desgovernado.
Uma delas precisou ser levada para um hospital por conta de ferimentos na perna e foi liberada ainda no sábado.
Em depoimento para a polícia, Nilson foi questionado pela delegada o motivo de não ter parado após as batidas. Ele respondeu que sentiu, mas não viu os carros por cauda da altura da cabine.
O que dizem as empresas
A empresa proprietária da carga de cervejas que caiu na rodovia é a Rododrive, da região norte. Em nota, eles manifestaram "profundo respeito quanto ao indesejável acontecimento" e destacaram que Nilson, assim como o caminhão, são terceirizados.
A empresa também disse que instaurou sindicância "para apuração dos fatos, visando a elucidar todo o ocorrido".
A RPC apurou que Nilson é funcionário da empresa RRLog, com sede em Mandaguaçu.
Em nota, a empresa disse que repudia a conduta do motorista e que ele chegou na noite de sexta-feira (13), às 19h30 em Ponta Grossa, para realizar a descarga na manhã de sábado (14).
A empresa também disse que "toda conduta de mudança de rota não foi orientado ou autorizado. Ele estava orientado a descansar e descarregar pela manhã".