O guarda municipal Elias da Silva, de Cascavel, no oeste do Paraná, foi flagrado dando um tapa no rosto de um homem em situação de rua durante uma abordagem no município. No momento da agressão, o homem estava com as mãos para trás.
O guarda municipal não retornou os contatos da reportagem para comentar o caso. O secretário de segurança do município falou que Elias foi afastado.
O caso aconteceu no domingo (14), mas as imagens foram divulgadas nesta quinta-feira (17).
A gravação mostra o momento em que o rapaz, de roupa preta e carregando sacolas com latinhas, é abordado pelos guardas. Depois de alguns minutos de conversa, um dos agentes tenta chutar uma das sacolas. Em seguida, o rapaz tira os sapatos. Momentos depois ocorre a agressão.
Elias da Silva se aproxima do homem, que está com as mãos para trás, e dá um tapa no rosto dele. A vítima se desequilibra e volta ao lugar onde estava, ainda com as mãos para trás.
Depois do tapa, Elias pega uma garrafa na viatura e usa o produto para aparentemente limpar as mãos. O rapaz é liberado na sequência.
O secretário de segurança do município, Pedro Fernandes, avaliou o procedimento como inadequado. Segundo ele, "houveram várias falhas".
"Inclusive na própria situação da não feitura de um boletim de ocorrência. A primeira decisão é pelo afastamento imediato e instauração da apuração do procedimento administrativo [...] Havendo demonstrado que não havia circunstância alguma, que apresenta pela imagem, a legislação será aplicada".
De acordo com o secretário,
Exonerado
A RPC apurou que o guarda municipal que aparece cometendo a agressão havia sido exonerado da guarda por tortura, abuso de autoridade e dano. Entretanto, depois de recorrer na Justiça, ele conseguiu voltar ao trabalho.
O caso pelo qual Elias foi exonerado aconteceu em 2021, quando um jovem foi espancado e torturado por guardas municipais para confessar um crime que não cometeu. Na época, os guardas estavam atrás de dois homens que tinham roubado a casa de uma agente. Na ocasião, eles disseram ter encontrado a arma da servidora na casa do jovem, que foi preso.
Depois, o inquérito concluiu que quatro guardas, entre eles Elias da Silva, praticaram os crimes. Todos foram exonerados. Um processo criminal sobre o caso ainda está em andamento.