Da assessoria/Acefb – “O assunto comércio exterior, na cabeça do empresariado, normalmente é um bicho de sete cabeças. Realmente é complexo. E nós, enquanto Acefb, precisamos desmistificar esse assunto para que possamos encorajar os nossos empresários, tanto para importar quanto para exportar produtos, através de empresas sérias de consultoria e assessoria”. É o relato de abertura do empresário Tarsizio Carlos Bonetti, presidente da Associação Empresarial de Francisco Beltrão, no Café Acefb de terça-feira, 4 de outubro, na entidade local.
Participaram da meeting (reunião) o empresário Inácio Pereira, economista, consultor de empresas e especialista em gestão empresarial e de projetos e o vice da Acefb para Assuntos de Comércio Exterior, Cláudio Yokosawa.
“A gente sempre fala na balança comercial, que nós brasileiros precisamos exportar nossos produtos. Porém, a importação também é importante para o país. Porque se uma empresa importa uma máquina do exterior, que vai gerar produtividade ao seu negócio, isso é extremamente salutar. Quanto mais ativo o comércio exterior, mais a economia fica dinâmica e cresce. Percebo que os países desenvolvidos trabalham melhor com a questão do comércio internacional”, reforça Tarsizio.
Inácio destaca que, embora o Brasil figura entre as dez maiores economias do mundo, a participação brasileira no comércio mundial é pífia. “Hoje essa participação corresponde em torno de 2% de todo o comércio mundial”, explica Inácio. “E produz entre 20% e 22% de todo o alimento que é consumido no mundo. É motivo de orgulho para nós brasileiros. Mas quando somamos toda a produção do planeta, a nossa participação ainda é muito pequena”, completa.
No atual cenário econômico, o Brasil segue exportando mais do que importando produtos, afirma Inácio. “Na média dos últimos 12 meses, de 100% das importações que nosso país fez, 22% vem da China, 19,27% dos Estados Unidos, 4,71% da Argentina, 4,62% da Alemanha, 1,83% do Canadá e 1,97% do Japão. Por blocos econômicos, os números que aparecem são a Ásia 34,49%, América do Norte 22,90%, Mercosul 7,19%, União Europeia 16,08% e África, Oceania, Sudeste asiático, Oriente Médio e América Central 19,43%”.
Para Inácio, um dos melindres que os empresários enfrentam em relação ao comércio exterior está ligado diretamente ao idioma.
O que mais importamos?
• Adubos e fertilizantes químicos
• Produtos manufaturados
• Produtos eletroeletrônicos
• Trigo e centeio
• Combustível refinado e gás natural
• Produtos químicos e medicamentos
• Peças para veículos e máquinas
“As pessoas podem pensar: mas o Brasil não é autossuficiente na produção de combustível? Nós produzimos, na prática, o combustível que precisaríamos, mas na verdade nós ainda não conseguimos refinar todo o combustível que precisaríamos. Ainda temos que enviar o petróleo para fora para ser refinado. E quando nós importamos, nós pagamos em dólar. Por isso que é importante termos esse entendimento e as paixões políticas precisam ficar de lado”, observa Inácio.
O que mais exportamos?
• Soja
• Petróleo cru
• Minério de ferro
• Papel e celulose
• Milho
• Carnes (frango, bovino e suíno)
• Produtos manufaturados
• Açúcar e sucos de frutas
• Ouro
• Veículos e aviões
Por que importar?
• Redução de custos: normalmente a importação possui preços muito atrativos, mesmo com os custos logísticos, pois há isenções tributárias em muitas das operações.
• Qualidade: Por meio de mercados internacionais é possível alcançar empresas altamente disponíveis, com elevada capacidade produtiva e com grande diferencial tecnológico.
• Variedade: ao buscar no exterior seus produtos / insumos, você possuirá uma vitrine gigantesca de opções.
• Tecnologia: A mais alta tecnologia você encontrada nos mercados internacionais. É vantajoso importar esses equipamentos, considerando as limitações tecnológicas de nosso país.
• Comercialização: Com equipamentos de última geração, produtos de alta qualidade e preços competitivos, seus negócios passarão uma imagem de dinamismo e de competência.
“Se estamos de olho nas oportunidades de negócios, precisamos fazer um balanço entre o que comprar de fornecedores nacionais e o que comprar de fornecedores internacionais, para que a gente sempre tenha a melhor relação custo-benefício. Por isso é muito importante o conhecimento do Inácio aqui na Acefb, principalmente a respeito de importação de produtos, para que os nossos empresários beltronenses conheçam esse processo. Quem já pensou em algum dia importar ou exportar, essa é a hora, estamos aqui para ajudar”, comenta Cláudio Yokosawa.
Pensar ‘fora da caixa’
“Muitas vezes o nosso empresário está focado no operacional das empresas. É o boleto que está vencendo, é a mercadoria que não veio, é o cliente que está reclamando, é o cheque que está voltando. E as questões estratégicas da empresa acabam ficando de lado. Aí que entra o nosso papel, que é prestar o serviço, a análise mercadológica, econômica, financeira e fiscal, percebendo qual é o enquadramento fiscal das empresas, para saber se vale ou não a pena fazer o processo de importação”, reflete Inácio.
Joares Ribeiro, diretor executivo da Acefb, enfatiza que “resolvemos trazer esse tema no Café para tiramos as dúvidas dos nossos associados quanto à importação e exportação de produtos. E o Inácio trouxe para Beltrão uma filial da Ásia Source, empresa especialista no processo de importação e exportação”.
O escritório central da Ásia Source funciona na China. “O pessoal dessa empresa nos procurou para que possamos oferecer esse serviço aqui na região. E tem uma grande dúvida de boa parte dos empresários: será que estou comprando o produto que eu quero? Será que estou comprando gato por lebre? Cito um exemplo que aconteceu aqui em Beltrão. Havia uma empresa que montava placas que vão no teclado de alarmes residenciais. Como bom brasileiro, a empresa pediu desconto para os chineses na compra dessas placas. E eles deram o tal desconto. Quando chegou o contêiner aqui na cidade, eram placas de qualidade inferior. Ou seja, houve uma confusão de culturas, porque na China a palavra ‘desconto’ não existe em mandarin. Eles entenderam que eram placas mais baratas”, relata Inácio.
Termo de convênio
No encerramento do Café Acefb foi assinado entre a Acefb e a Ásia Source Brasil um serviço de consultoria ligado à exportação e importação que passa a ser disponibilizado para os associados da Acefb. Mais informações com Inácio 46 – 9 9922-0300 / Vitor 46 9 9104-9888 / inacio.pereira@asiasourcebrasil.com.br.