O vazamento de um gás tóxico ainda não identificado em Pontal, no interior de São Paulo, assustou moradores, que precisaram buscar atendimento médico com suspeita de intoxicação, e obrigou cerca de 1 mil pessoas de diferentes bairros a deixar suas casas.
O que aconteceu?
Por volta de 19h30 da noite de terça-feira (4), moradores de Pontal, cidade de 51,7 mil habitantes na região de Ribeirão Preto (SP), começaram a sentir um cheiro muito forte, e cerca de 1 mil pessoas, segundo autoridades locais, deixaram suas casas.
Onde aconteceu?
O vazamento foi identificado na Rua Alexandre Andruciolli, no bairro Campos Elíseos, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), mas o cheiro se espalhou para outras regiões da cidade. Ao menos cinco bairros foram afetados.
O que vazou?
Ainda não se sabe qual substância provocou a nuvem tóxica. Há suspeitas de amônia ou cloro. Os moradores relataram que sentiram um cheiro parecido com o de água sanitária.
As causas do vazamento também são desconhecidas. Técnicos e especialistas da Cetesb já começaram uma investigação.
Há vítimas?
O secretário de Governo, Abnevaldo Neves Silva, confirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que uma mulher morreu.
A vítima é a trabalhadora rural Alessandra Alves da Silva, de 39 anos. Ela estava com um sobrinho em casa, na Rua Alexandre Andrucioli, preparando o jantar, quando a névoa tóxica tomou conta da região.
Alessandra chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O corpo dela foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), e o sepultamento está previsto para acontecer na tarde desta quarta-feira no Cemitério de Pontal.
Como foi feito o socorro às vítimas?
O vice-prefeito de Pontal, João Henrique Dias Pedro, descreveu a noite de terça-feira como uma "cena de guerra" na Santa Casa. Leitos usados para tratamento de Covid chegaram a ser reativados para os atendimentos, e as equipes médicas foram reforçadas.
Segundo a prefeitura, até a manhã desta quarta-feira, cerca de 95 moradores haviam sido atendidos no local.
Dois pacientes seguem em observação na Santa Casa, e outras 11, sendo cinco crianças, tiveram alta por volta das 12h.
Três pessoas foram levadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sertãozinho (SP) e uma foi para a Santa Casa da mesma cidade. Em Ribeirão Preto (SP), duas pessoas estão internadas, sendo uma no Hospital das Clínicas (HC) e uma em um hospital particular - esta última, intubada.
O que a Polícia Civil já apurou?
Há princípio, havia a suspeita de que o vazamento tivesse começado na casa de Alessandra. A hipótese, no entanto, foi descartada nesta quarta-feira pela Polícia Científica.
Segundo o delegado Igor Dorsa, nenhum vestígio foi encontrado na residência dela nem no imóvel que faz fundos à casa.
Dorsa informou que indústrias no bairro Campos Elíseos e nos arredores serão vistoriadas nesta quarta-feira. Imagens de câmeras de segurança também foram recolhidas.
Um boletim de ocorrência por homicídio e uso de gás tóxico ou asfixiante foi registrado. A polícia tenta localizar o responsável.
Amostras do corpo da vítima e de animais foram intoxicados foram coletadas para análise.
G1