O estudante Gilson Teixeira, de 18 anos, sempre foi talentoso quando a questão é artes. Todavia, foi quando ele se viu junto com os seis irmãos mais novos sem energia elétrica em casa que surgiu mais um talento: criar jogos de tabuleiro.
Nos últimos dois anos, Gilson - que cuida dos irmãos para os pais trabalharem durante o dia - criou três jogos completos com cartas, peças, regras e tabuleiros pensados, desenhados e confeccionados por ele mesmo. A imaginação se torna uma diversão concreta com lápis e papel.
"Eu desenvolvi esse jogo quando caiu a luz lá em casa eu e meus irmãos não tínhamos nada para fazer, daí eu pensei na ideia de criar um jogo de tabuleiro, parecido com a batalha naval. E assim acabei criando o meu próprio jogo, foi o primeiro jogo que eu fiz que é o Jumbo."
Gilson conta que a condição financeira da família não permite luxos, cursos e materiais diferenciados. Isso, contudo, em nenhum momento, segundo o jovem, fez com que os pais deixassem de incentivá-lo.
"Eles não têm um luxo de ficar pagando escola, pagando um monte de curso, um monte de material e tal. Mas toda a minha vida quando eu disse pra eles que eu gostava de desenhar e eles viram que todo o desenho que eu fazia ficava de certa forma ficavam bonitinho e tal eles acreditaram bastante em mim. Eu amo muito meu pai e minha mãe por eles sempre acreditarem em mim e no que eu posso fazer no futuro", disse Gilson.
Jumanji como inspiração
O primeiro jogo criado por Gilson chama-se Jumbo e é inspirado no filme Jumanji, que descreve um jogo de tabuleiro com temática da natureza, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente assim que um jogador joga os dados.
Ele desenhou, montou e criou todas as regras. Aquilo que era apenas uma brincadeira para entreter os irmãos, passou a ser também diversão na escola.
Nesses dois anos, Gilson aperfeiçoou o jogo e também criou mais dois. Um deles com personagens em forma de bonecos feitos com EVA.
"Primeiro eu queria mostrar só para o meu melhor amigo, depois a gente estava jogando e vieram mais pessoas, elas olharam e acharam legal, aí nisso vieram mais pessoas e todas queriam estar jogando já. ”
No terceiro ano do ensino médio e se preparando para o vestibular, Gilson quer continuar fazendo o que ama. Vai cursar Design para investir e seguir estudando para aperfeiçoar e profissionalizar o seu talento.
"Eu quero fazer algo que não seja só para mim, ou só para uma pessoa, eu quero fazer uma arte, desenho ou jogo que muitas pessoas vejam, gostem e que elas se sintam felizes com aquilo que eu fiz."
Inovador desde pequeno
Foi vendo os quadrinhos nos jornais impressos, quando era criança, que a paixão por desenhar despertou.
A mãe, Lucilene Teixeira, de 38 anos, destacou que o filho sempre foi muito cuidadoso e criativo. Ela diz que desde pequeno ele sempre quis fazer os seus próprios brinquedos com reciclagem.
"Ele sempre foi amoroso e detalhista desde criança. Ele fez a decoração inteira da festa da irmã com produtos recicláveis aos 10 anos, ninguém acreditava.
Foi essa criatividade que chamou a atenção dos professores na Escola Estadual Cruzeiro do Sul, em Curitiba. O diretor do colégio, Claudio Eduardo Kramar, foi alertado pela professora de artes para que fosse observar os trabalhos dele, que sempre foram muito caprichosos.
A escola passou a contribuir então com materiais para que Gilson pudesse desenvolver esse talento
"Ele sempre foi um bom aluno. A gente sabia que ele gostava da arte, da ilustração da pintura, do desenho. Então, a gente sempre foi ajudando-o nesse sentido", disse o diretor.
Fonte: G1PR