Na entrevista à Pais&Filhos, conduzida pela CEO Andressa Simonini, Mari Bridi aprofundou o tema e mostrou que o caminho passa por diálogo, acordos consistentes e presença ativa na vida digital dos filhos.
Segurança digital começa pelas configurações
Um dos destaques do evento foi o detalhamento de uma experiência mais segura “por padrão” para adolescentes no Instagram. Isso significa que jovens entre 13 e 17 anos já entram automaticamente em configurações mais restritas, sem que os responsáveis precisem ativar manualmente. As chamadas Contas de Adolescente estão disponíveis no Instagram no Brasil desde o começo do ano passado.
Entre as configurações padrão estão, por exemplo, filtros mais rigorosos para palavras ofensivas em comentários de publicações e a restrição a interações com desconhecidos, incluindo mensagens diretas, marcações e menções.
A plataforma também tem investido em ferramentas que incentivam o equilíbrio no uso, como avisos em tela cheia quando o adolescente atinge o limite diário de 60 minutos no Instagram – como um estímulo para sair do aplicativo – e o modo descanso, que desativa notificações durante a noite.
Além dessas configurações definidas automaticamente nas Contas de Adolescente, também é possível que mães e pais personalizem a experiência dos seus filhos via supervisão parental. Eles podem, por exemplo, alterar o limite de uso diário para mais ou para menos de 60 minutos, incluindo a possibilidade de o aplicativo ser bloqueado para uso após o atingimento do limite estabelecido – em vez de apenas aparecer o aviso em tela cheia. Outra opção dada aos pais é a de determinar o bloqueio do app em períodos específicos, como a hora de estudar ou de fazer as refeições em família, por exemplo.
Acordos claros fazem a diferença
Para Mari Bridi, estabelecer combinados dentro de casa é essencial, e isso começa com conversa. “Delimitar tempo de tela é extremamente importante, mas também desafiador. Quando você não tem acordos, fica mais difícil”, explica.
A atriz conta que o diálogo começou quando a filha mais velha, Aurora, passou a demonstrar interesse pelo uso de aplicativos. Na casa da família, o tempo de tela é definido: Aurora pode usar meia hora por dia. Mais do que impor a regra, Mari faz questão de explicar o porquê. “Quando ela entende por que aquela regra existe, fica muito mais fácil cumprir.”
Um dos pontos que Mari reforça é que não trabalha com troca ou chantagem. Em vez disso, aposta na clareza e na construção de sentido. “Eu não faço acordos do tipo ‘se você fizer isso, ganha aquilo’. Eu explico por que aquilo é importante. Às vezes ela concorda, às vezes não, mas a gente conversa.”
Esse processo também abre espaço para pequenas flexibilizações. “Às vezes ela pede mais alguns minutos porque o vídeo está acabando, por exemplo. E tudo bem. Mas ela entende a necessidade de ter um limite.”
Autonomia também faz parte do processo
Com a chegada da pré-adolescência, a autonomia começa a ganhar espaço. E isso, segundo Mari, também é importante.
“Ela já consegue decidir quando usar esse tempo. Tem dias que prefere usar logo que chega da escola para descansar, outros dias prefere depois. A gente conversa sobre isso.”
Para a mãe, permitir que os filhos, depois de uma certa idade, participem dessas decisões ajuda no aprendizado. “É importante até para cada um entender como organizar o próprio tempo.”
Mesmo com acordos e autonomia, acompanhar o que os filhos consomem ainda é fundamental. “Eu vejo tudo que ela está assistindo. É um bom termômetro do que está aparecendo para eles”, conta. Esse acompanhamento, no entanto, não acontece de forma invasiva, mas sim com diálogo constante.
Tempo de qualidade fortalece a conexão
Mari também destaca a importância de momentos de conexão no dia a dia, mesmo que sejam curtos. “Esses minutos são preciosos para criar um espaço seguro, onde os filhos se sintam confortáveis para falar.”
Segundo ela, esse vínculo faz diferença principalmente na pré-adolescência e adolescência. “Quanto mais a gente constrói essa base agora, mais fácil pode ser lá na frente.”
Para a atriz, impor limites faz parte do papel de quem cuida. Ao mesmo tempo, ela acredita que a forma como esse limite é comunicado muda tudo.
Cada família encontra seu próprio caminho – mas, como reforça Mari, o diálogo aberto e os acordos consistentes fazem toda a diferença.
Revista Pais e Flhos