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OPOs sustentam corrida contra o tempo que já resultou em mais de 10 mil transplantes no Paraná

Organizações de Procura de Órgãos atuam 24 horas por dia na identificação de potenciais doadores, acolhimento das famílias e logística para garantir que órgãos cheguem aos pacientes que aguardam por um transplante

OPOs sustentam corrida contra o tempo que já resultou em mais de 10 mil transplantes no Paraná
Foto: Karolina Fabbris Pacheco/AEN

A sirene de um veículo da Central de Transplantes ou a decolagem de uma aeronave transportando um coração, um fígado ou outro órgão representam apenas a etapa final de uma verdadeira corrida contra o tempo. Antes que um órgão chegue às mãos de um cirurgião, uma complexa rede de profissionais trabalha para viabilizar cada etapa do processo de doação e transplante.

No Paraná, uma das peças fundamentais dessa engrenagem são as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs). As equipes atuam diretamente nos hospitais, acompanham potenciais doadores, dão suporte às unidades de saúde, acolhem familiares e coordenam procedimentos necessários para que os órgãos possam ser captados e encaminhados aos centros transplantadores.

O trabalho desenvolvido por essa estrutura contribui para o protagonismo do Paraná no cenário nacional. O Estado já ultrapassou a marca de 10 mil transplantes realizados desde a criação do Sistema Estadual de Transplantes (SET), em 2011. O resultado representa milhares de pessoas que tiveram uma nova oportunidade de vida graças à doação de órgãos e tecidos.

Os números mostram a evolução do sistema. Entre janeiro e agosto de 2011, o Paraná registrou 70 doações. No mesmo período de 2026, foram 293 doações efetivas — quando os órgãos são efetivamente retirados e encaminhados para transplante —, um crescimento superior a 300%.

Considerando os anos completos, o número também avançou significativamente: foram 111 doações em 2011, contra 462 em 2025.

Somente entre janeiro e setembro de 2026, 1.386 transplantes de órgãos e tecidos já foram realizados no Estado.

Uma rede que funciona 24 horas

Por trás desses resultados está uma estrutura descentralizada e formada por profissionais especializados. O Sistema Estadual de Transplantes mantém o monitoramento das demandas e da disponibilidade de órgãos de forma ininterrupta, conectando pacientes que aguardam na fila aos hospitais responsáveis pelos procedimentos.

A logística exige rapidez e integração entre profissionais distribuídos pelas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de todo o Paraná. O processo envolve equipes médicas, de enfermagem, psicologia, assistência social e outros profissionais que precisam atuar de maneira coordenada.

Atualmente, o Estado conta com quatro Organizações de Procura de Órgãos, distribuídas estrategicamente para atender todas as regiões: Curitiba, na região Leste; Cascavel, no Oeste; Maringá, no Noroeste; e Londrina, no Norte.

Ao todo, 26 profissionais atuam nas quatro unidades.

A regionalização permite que as equipes acompanhem de perto os hospitais de suas áreas de abrangência e mantenham contato permanente com as equipes hospitalares.

Do diagnóstico ao acolhimento da família

O processo começa quando uma unidade de saúde comunica a existência de um paciente com quadro neurológico grave e possível evolução para morte encefálica.

A partir da notificação, a OPO, em conjunto com as Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOTs), acompanha o caso. Entre as atribuições estão o suporte à confirmação do diagnóstico, a manutenção clínica do potencial doador e a preparação para a entrevista com os familiares.

É justamente nesse momento que o acolhimento ganha papel fundamental.

No Paraná, o índice de recusa familiar à doação de órgãos é de 33%, abaixo da média nacional, de 45%, segundo os dados apresentados pelo Sistema Estadual de Transplantes.

Para as equipes que atuam diretamente nesse processo, a preparação e a capacitação são fundamentais. Médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais recebem treinamento para lidar tanto com os aspectos técnicos da doação quanto com a comunicação com famílias que acabam de receber a notícia da morte de um familiar.

A abordagem busca oferecer informações, esclarecer dúvidas e respeitar o momento de luto. A decisão pela doação, portanto, ocorre dentro de um contexto de acolhimento e esclarecimento sobre todas as etapas do procedimento.

OPO assume a logística após autorização

Depois que a família autoriza a doação, começa uma nova etapa da corrida contra o tempo.

A OPO passa a atuar na coordenação logística do processo, em articulação com o Sistema Estadual de Transplantes. A equipe aciona os profissionais responsáveis pela captação, organiza a disponibilidade dos centros cirúrgicos, acompanha a identificação e o encaminhamento das amostras biológicas e, quando necessário, auxilia nos procedimentos junto ao Instituto Médico-Legal (IML).

O objetivo é garantir que toda a estrutura esteja preparada para a chegada das equipes de captação e que os órgãos possam ser retirados e encaminhados dentro do tempo adequado.

Mas o trabalho das OPOs não termina quando não há uma captação em andamento.

As equipes também atuam na educação permanente dos profissionais de saúde. As e-DOTs recebem capacitações periódicas sobre temas que vão desde a comunicação de más notícias e abordagem familiar até os cuidados clínicos necessários para manter a estabilidade de um potencial doador.

Informação também salva vidas

A atuação das OPOs também ultrapassa os limites dos hospitais. Campanhas de conscientização buscam aproximar a população do tema e estimular o diálogo sobre a doação de órgãos antes que uma família precise tomar essa decisão em uma situação de luto.

A OPO de Cascavel, responsável pelo atendimento das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, desenvolve ações ao longo do ano com esse objetivo.

Entre janeiro e setembro de 2026, a unidade viabilizou 80 doações efetivas, que resultaram em mais de 256 transplantes.

Entre as iniciativas realizadas está o “Bloco Doação de Órgãos, Fale sobre isso”, que utiliza atividades interativas e momentos de mobilização para levar o assunto à comunidade de forma acessível.

A proposta é estimular que a doação seja discutida previamente dentro das famílias. Isso porque, no momento em que uma possível doação é apresentada dentro de uma UTI, o conhecimento prévio sobre o tema pode contribuir para que os familiares compreendam o processo e tenham mais segurança para tomar uma decisão.

Setembro Verde

O trabalho das OPOs ganha ainda mais visibilidade durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

A campanha coloca em evidência uma estrutura que normalmente permanece longe dos holofotes, mas que funciona de forma permanente nos bastidores do sistema de saúde.

Entre uma notificação hospitalar e a chegada de um órgão ao centro cirúrgico, existe uma sequência de decisões, deslocamentos, exames, procedimentos e cuidados que precisa funcionar com precisão.

É nessa corrida contra o tempo que as OPOs desempenham seu papel: conectar hospitais, profissionais, famílias e o Sistema Estadual de Transplantes para transformar a decisão pela doação em uma possibilidade concreta de vida para quem espera por um transplante.

Portal de Beltrão, com Jornal do Oeste 

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