O volume de ajuda internacional destinado por países ricos a nações em desenvolvimento e organismos multilaterais registrou, em 2025, a maior queda da história. Segundo o estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), os repasses caíram 23,1% em relação a 2024.
De acordo com o levantamento, a ajuda oficial ao desenvolvimento somou US$ 174,3 bilhões em 2025, uma redução de US$ 52,4 bilhões em termos reais na comparação com o ano anterior. A projeção é de uma nova queda de 6,9% em 2026, marcando o terceiro ano consecutivo de retração.
Os dados utilizados no estudo são do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), ligado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os Estados Unidos foram responsáveis pela maior redução entre os países doadores. O volume de recursos enviados pelo país caiu 56,9%, respondendo por cerca de 75% da diminuição registrada no período. Alemanha, França, Reino Unido e Japão também reduziram os repasses.
Segundo o estudo, a queda ocorre em meio ao aumento dos investimentos em áreas como defesa e segurança energética, especialmente após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Mesmo com a redução global da ajuda internacional, a Ucrânia permaneceu como o maior destino individual de recursos, impulsionada principalmente pelo aumento do apoio financeiro de países europeus.
Os pesquisadores alertam que a diminuição dos recursos pode afetar principalmente países mais pobres, sobretudo na África Subsaariana, região que registrou queda de 23% no recebimento de ajuda em 2025.
O estudo também destaca a necessidade de fortalecer mecanismos de financiamento para os países mais vulneráveis e tornar a ajuda internacional mais eficiente para reduzir os impactos sociais e econômicos.
Agência Brasil