A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, tomada no mês de fevereiro, derrubando o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, trouxe alívio para o setor madeireiro de Palmas, especialmente para as indústrias de compensado que têm no mercado norte-americano seu principal destino de exportação.
A Justiça norte-americana entendeu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor o aumento generalizado de tarifas sobre importações de diversos parceiros comerciais. As medidas começaram em abril de 2025, quando foram anunciadas as chamadas tarifas recíprocas, incluindo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Em julho, um novo aumento de 40% elevou a alíquota total para 50%, afetando diretamente o comércio exterior brasileiro.
Em Palmas, o impacto foi imediato. Durante o período de vigência das tarifas, diversas empresas precisaram reduzir custos, inclusive com demissões, diante da queda nas exportações.
Durante entrevista à Rádio Club, o diretor comercial do Grupo Sudati, Fabiano Sangali, avaliou que o período do tarifaço foi um dos mais desafiadores enfrentados pelo setor. Segundo ele, em muitos casos, o mercado norte-americano representa entre 40% e 50% das vendas das indústrias da região, o que tornou inevitável a necessidade de adequações internas durante o período.
Explicou que, com o tarifaço, o setor chegou a enfrentar uma carga tarifária total de 58%. Após a decisão judicial, a alíquota foi reduzida para 18%, valor que ainda é considerado alto, mas que permite a retomada das exportações.
Segundo o diretor comercial, logo após a decisão da Suprema Corte, clientes norte-americanos voltaram a procurar as indústrias brasileiras e houve aumento imediato nos pedidos. Porém, a recuperação não é completa. O setor ainda sente os efeitos das reduções adotadas no auge da crise, e a retomada da capacidade produtiva exige tempo.
RBJ