A população em situação de rua em Pato Branco registrou crescimento de 28,6% entre 2024 e 2025, passando de 28 para 36 pessoas cadastradas. Os dados fazem parte do levantamento apresentado na primeira quinzena de janeiro pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), elaborado com base no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), atualizado até dezembro de 2025.
O estudo aponta que o aumento observado no município acompanha uma tendência nacional. Em todo o Brasil, o número de pessoas vivendo em situação de rua passou de 327.925 ao final de 2024 para 365.822 no encerramento de 2025, evidenciando o crescimento dessa população em todas as regiões do país.
Segundo o levantamento, a maior concentração está na Região Sudeste, que reúne 61% do total, com 222.311 pessoas. O Nordeste aparece em seguida, com 54.801 pessoas (15%). A Região Sul concentra 12% da população em situação de rua, o equivalente a 45.430 pessoas, enquanto o Centro-Oeste e o Norte somam 22.036 e 21.244 registros, respectivamente.
Na Região Sul, o Paraná lidera em número de pessoas em situação de rua, ocupando a quarta colocação nacional, com 17.396 registros em dezembro de 2025. O Rio Grande do Sul aparece em sexto lugar, com 16.359 pessoas, e Santa Catarina ocupa a oitava posição, com 11.675.
Em Pato Branco, a secretária municipal de Assistência Social, Tânia Raber Bertelli, afirma que o aumento identificado está relacionado, entre outros fatores, ao aprimoramento dos processos de identificação, registro e acompanhamento da população em situação de rua. “A intensificação das ações de abordagem social e o fortalecimento do Cadastro Único permitiram maior visibilidade dessa população, refletindo em números mais próximos da realidade”, explicou.
O histórico divulgado pela secretaria mostra que, em 2017, o município registrava apenas uma pessoa em situação de rua. O número subiu para oito em 2018, nove em 2019, caiu durante o auge da pandemia de covid-19, com oito registros em 2020 e cinco em 2021, e voltou a crescer a partir de 2022, chegando a sete naquele ano, 14 em 2023, 28 em 2024 e ao maior índice já registrado em 2025.
A secretária destaca ainda que a população em situação de rua apresenta alta mobilidade territorial, o que influencia os dados. “É comum que pessoas realizem ou atualizem o cadastro no município e, posteriormente, se desloquem para outras localidades”, pontuou.
Entre os avanços recentes na política pública municipal, Tânia cita a estruturação do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), com a implantação de um espaço físico próprio na rodoviária, a contratação de um assistente social exclusivo para o serviço, além de ações noturnas integradas com a Secretaria Municipal de Saúde. Em 2025, também foi firmado termo de colaboração com a Organização da Sociedade Civil Missão Vida Nova, ampliando a rede de atendimento.
O perfil atendido pelo SEAS em Pato Branco é predominantemente masculino e adulto, embora tenham sido registrados, de forma pontual em 2025, atendimentos envolvendo crianças e adolescentes, em sua maioria indígenas que estavam no município. Os dados também indicam presença significativa de pessoas com uso crônico de substâncias lícitas e ilícitas.
No Sudoeste do Paraná, os 42 municípios somavam, em 2024, 126 pessoas em situação de rua, número superior ao registrado em 2023, quando eram 84. Francisco Beltrão liderava o ranking regional, seguido por Palmas e Pato Branco, reforçando a tendência de crescimento observada em toda a região.
Ascom