As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chegaram ao 18º dia nesta quarta-feira (21), sem que, até o momento, haja informações sobre o paradeiro das crianças. Os irmãos desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão.
A operação entrou na terceira semana com reforço de equipes e ampliação da área investigada. No fim de semana, a Marinha do Brasil intensificou as buscas, atuando com mais de 11 mergulhadores, além do uso de voadeira, motoaquática e sonar do tipo side scan, tecnologia utilizada para varredura subaquática em águas turvas ou profundas. A Polícia Rodoviária Federal também integra a força-tarefa, com ações em campo e nas rodovias da região.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, mais de 500 pessoas estão mobilizadas, incluindo equipes do Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, Centro Tático Aéreo, Perícia Oficial, Exército Brasileiro e voluntários. A área de busca abrange cerca de 54 quilômetros quadrados, divididos em quadrantes para permitir uma varredura detalhada em meio à mata fechada e trilhas irregulares. Mais de 60% dessa área já foi vistoriada.
Um dos principais pontos da investigação envolve o relato de Anderson Kauã, primo das crianças, de 8 anos, encontrado com vida no dia 7 de janeiro. De acordo com a SSP-MA, cães farejadores indicaram que as três crianças estiveram em uma casa abandonada na zona rural de Bacabal, conhecida como “casa caída”, localizada no povoado São Raimundo.

O secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, afirmou que o trabalho dos cães confirmou detalhes relatados pelo menino. Segundo ele, os animais identificaram a presença das três crianças no local e até mesmo trajetos diferentes utilizados na chegada à casa. Quatro cães participaram da ação.
Ainda conforme o secretário, os cães percorreram uma ribanceira próxima a um lago, mas não localizaram sinais recentes de presença de adultos, nem vestígios de alimento ou água. Ele destacou que o trabalho foi feito a partir do cheiro específico das crianças, sem indícios externos associados.
Anderson Kauã permanece internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento médico e psicológico. Exames descartaram violência sexual, e a escuta especializada é conduzida pelo Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes.
Em coletiva realizada na última quinta-feira (15), Maurício Martins reforçou que nenhuma linha de investigação foi descartada e que o foco principal segue sendo localizar Ágatha e Allan. Ele afirmou ainda que, até o momento, não há indícios da participação de terceiros no desaparecimento, ressaltando que todas as hipóteses continuam sendo apuradas.
A Secretaria de Segurança Pública informou que as buscas seguem de forma ininterrupta, com ampliação da área de varredura, incursões subaquáticas, patrulhamento terrestre e uso de drones e helicópteros. A Prefeitura de Bacabal mantém apoio logístico às equipes nas bases instaladas nos povoados São Sebastião dos Pretos e Santa Rosa.
CNN