O avanço do sarampo em países das Américas tem preocupado autoridades de saúde e reforçado a necessidade de ampliar a vacinação no Brasil. Mesmo após recuperar, em novembro de 2024, o status de país livre da transmissão endêmica da doença, o país continua registrando casos importados e enfrenta o desafio de atingir a meta de imunização infantil.
Segundo informações divulgadas pelo g1, o Ministério da Saúde intensificou a vigilância epidemiológica e as ações de vacinação em municípios da região oeste do Amazonas, próximos à fronteira com o Peru, onde há circulação do vírus. A preocupação também envolve países como Bolívia, Argentina e Paraguai.
A principal estratégia de prevenção é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A recomendação é alcançar pelo menos 95% de cobertura vacinal com as duas doses indicadas para as crianças, índice necessário para reduzir a circulação do vírus e evitar surtos.
No entanto, nenhum estado brasileiro havia atingido essa meta de cobertura infantil nos dados apresentados pela reportagem. Embora os índices tenham melhorado nos últimos anos, a imunização completa ainda está abaixo do patamar considerado ideal.
Casos importados aumentam o risco de surtos
O Brasil registrou 39 casos de sarampo em 2025 e já contabilizava pouco mais de 50 em 2026, conforme os números citados na reportagem. A maior concentração de ocorrências neste ano foi registrada em São Paulo.
De acordo com especialistas, a entrada de pessoas infectadas vindas de outros países pode provocar cadeias de transmissão, principalmente em comunidades com baixa cobertura vacinal.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que não basta alcançar índices elevados de vacinação em nível nacional. É necessário que a proteção esteja distribuída de maneira homogênea entre municípios e grupos populacionais, evitando áreas com grande número de pessoas suscetíveis.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacina tríplice viral oferece proteção elevada contra o sarampo. A primeira dose apresenta eficácia estimada entre 94% e 96%, enquanto duas doses garantem proteção superior a 97%.
Conforme o Calendário Nacional de Vacinação, a primeira dose é indicada aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Pessoas com vacinação incompleta devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de atualização, conforme a idade e o histórico vacinal.
A vacinação também é importante para proteger pessoas que não podem receber o imunizante por determinadas condições de saúde, pois uma cobertura elevada dificulta a disseminação do vírus.
Doença pode causar complicações graves
O sarampo é altamente contagioso e pode ser transmitido pelo ar por meio de tosse, espirros, fala e respiração de pessoas infectadas.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse seca, conjuntivite e mal-estar. Entre três e cinco dias após o início dos sintomas, geralmente surgem manchas vermelhas que começam no rosto e atrás das orelhas e se espalham pelo corpo.
Em casos graves, a doença pode causar pneumonia, otite, encefalite e até a morte. Crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos mais vulneráveis.
Diante de sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar a possibilidade de contato com alguém infectado ou de viagem para áreas com circulação do vírus.
As autoridades reforçam que manter a vacinação em dia é fundamental para evitar novos surtos e preservar a eliminação da transmissão endêmica do sarampo no Brasil.
Informações g1 e Ministério da Saúde.